A prevalência mundial da doença renal crônica (DRC) é estimada pela Organização Mundial da Saúde em 10% da população, enquanto alguns cálculos colocam a doença com uma prevalência global em 14% da população geral e 36% em grupos de risco. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, a prevalência estimada pelo critério laboratorial em adultos é de 6,7%, com esse índice triplicando em indivíduos com 60 anos ou mais.
Associada principalmente ao diabetes mellitus, à hipertensão arterial, à obesidade, ao envelhecimento e às doenças cardiovasculares, essa condição possui uma evolução muitas vezes assintomática, gerando um diagnóstico tardio o que aumenta a gravidade da situação e seu impacto no sistema de saúde. Dados coletados pelo Censo Brasileiro de Diálise 2024 estimam que mais de 170 mil pacientes estão em diálise no país, com 52.944 tendo iniciado o tratamento somente naquele ano.
Considerando as dificuldades do diagnóstico precoce e estratificação de risco um estudo de pesquisadores brasileiros analisou dados nacionais sobre rastreamento de doença renal crônica (DRC) buscando estimar a prevalência de DRC em adultos com diabetes mellitus (DM) e/ou hipertensão arterial, sem diagnóstico prévio de DRC.
Leia também: Diagnóstico da doença renal crônica: o que já mudou na prática clínica?

Metodologia
Os autores realizaram um estudo transversal observacional avaliando dados obtidos na “Campanha de Diagnóstico Precoce da Doença Renal Crônica” feito pela Diagnósticos da América (DASA), quando foram coletadas informações sobre dados demográficos, clínicos e laboratoriais, incluindo creatinina sérica e relação albumina/creatinina (RAC).
A coorte foi de 14.239 indivíduos com 18 anos ou mais, com idade média de 54 ± 15 anos, dois terços eram do sexo feminino, 37% autorreferiram diagnóstico de DM e 84% relataram ter hipertensão arterial. Aproximadamente 20% relataram a presença de ambas as comorbidades.
O estadiamento da DRC seguiu os critérios do Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) e calculou-se a TFGe pela equação CKD-EPI 2021.
Modelos de regressão de efeitos mistos foram utilizados para avaliar as trajetórias da TFGe, com até três medidas de TFGe de cada paciente durante um período de dois anos antes ou após a campanha.
Para examinar fatores de risco para DRC, os autores utilizaram regressão logística, com um valor de p < 0,05 sendo considerado significativo.
Saiba mais: Doença renal crônica e alterações climáticas – chave para inflamação?
Achados: prevalência de doença renal crônica
De acordo com os pesquisadores os dados analisados mostraram uma prevalência elevada de doença renal crônica (DRC) previamente não diagnosticada nesta população de alto risco, 19,6% da coorte apresentou DRC, todos sem conhecimento prévio da condição, com 11,3% apresentando TFGe < 60 mL/min e 11,1% RAC > 30 mg/g
Os modelos de regressão logística de risco utilizados projetaram aproximadamente 169.000 casos de insuficiência renal em 2 anos e por volta de 500.000 em 5 anos, excluindo o risco competitivo de mortalidade.
Para os autores, apesar do acesso universal a exames no Brasil, a albuminúria segue sendo significativamente subutilizada, representando uma oportunidade perdida para detecção precoce e implementação de intervenções nefroprotetoras.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.