Pesquisadores da Fiocruz, em estudo publicado na revista Nature, mostraram que o risco de hospitalização para crianças que tiveram contado com o vírus da chikungunya durante o parto tinham um risco aproximadamente 42% maior de serem hospitalizadas durante os primeiros três anos de vida. Além disso, a exposição intrauterina ao vírus também impactava o risco de hospitalização para a criança, por volta de 21% no geral, sendo mais elevado para contatos ocorridos entre o primeiro e segundo trimestre de gravidez.
Sobre o estudo
A coorte foi conduzida no Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e utilizou dados da Coorte de 100 Milhões de Brasileiros com base nos registros de nascimentos do Brasil entre 2015 e 2018. Os pesquisadores acompanharam 1.821 crianças nascidas de mães que tiveram chikungunya e 18.210 que não foram expostas à doença para comparação.
Segundo a Fiocruz, a pesquisa também considerou a idade materna, escolaridade, raça da mãe, acesso a serviços de saúde, residência e data de nascimento.
Resultados
O seguimento foi até hospitalização, morte ou até o terceiro ano de vida das crianças. A razão de risco (HR) para hospitalização por qualquer motivo foi de 1,21 (IC 95%: 1,11–1,36), 37 hospitalizações adicionais por 1.000 expostas (IC 95%: 16-64). O risco foi duas vezes maior para exposição intraparto (HR 2,08, IC 95%: 1,33-3,44) e elevado para exposição no primeiro e segundo trimestres. Evidências para o risco de morte foram limitadas.
Para pesquisadora, Mio Kushibuchi, líder do estudo, os resultados encontrados mostram o perigo da exposição a chikungunya para o bebê e as consequências duradouras para a dos pacientes. Ela também chama atenção para necessidade de mais estudos sobre o impacto da doença, principalmente em populações mais vulneráveis, pois, ao contrário de outras arboviroses, como não há consequências físicas aparentes na criança, seus efeitos sobre a saúde dos pacientes no longo prazo costumam passar despercebidos.
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Chikungunya
Em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde (até 06/04/2026), o Brasil já registrou 22.165 casos prováveis de chikungunya com 15 óbitos ligados a doença e 13 sob investigação. A população mais afetada pela doença é a de mulheres entre 20 e 49 anos.
O estado do Mato Grosso do Sul atualmente conta com o maior coeficiente de incidência para doença com Goiás logo em seguida, estado que conta com o maior número de casos, seguido nesse ranking por Minas Gerais.
O artigo dos pesquisadores da Fiocruz, faz recomendações para o combate e prevenção da chikungunya, sugerindo um acompanhamento pré-natal reforçado para gestantes infectadas, mesmo em fases iniciais da gravidez, assistência regular contínua para os filhos nos primeiros dias de vida, investimento em prevenção e vigilância ativa em tempos de epidemia e o controle de vetores.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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