O Brasil registrou cerca de 4,1 mil mortes por câncer de testículo nos últimos dez anos, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com base em dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, mais de 17 mil cirurgias de remoção do testículo foram realizadas como parte do tratamento da doença.
Embora represente cerca de 5% dos tumores urológicos, o câncer de testículo tem impacto relevante por atingir principalmente homens jovens: 61% das mortes ocorreram entre 20 e 39 anos. Para ampliar a conscientização, a SBU promove a campanha Abril Lilás, voltada ao diagnóstico precoce.
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Diagnóstico precoce é decisivo no câncer de testículo
Apesar de apresentar altas taxas de cura (superiores a 95% quando identificado precocemente), cerca de 60% dos casos no país ainda são diagnosticados em estágios avançados, segundo o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Esse atraso reduz as chances de cura e aumenta a necessidade de tratamentos mais agressivos, como quimioterapia.
Entre os principais fatores de risco estão a criptorquidia (quando o testículo não desce corretamente na infância), histórico familiar e exposição a substâncias químicas.
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Sintomas e autoexame
O sinal mais comum da doença é o surgimento de um nódulo endurecido e, geralmente, indolor no testículo. O autoexame é uma ferramenta importante para identificação precoce e pode ser feito durante o banho, com palpação cuidadosa.
Outros sintomas incluem:
- Aumento ou alteração na consistência do testículo
- Sensação de peso na bolsa escrotal
- Dor no baixo ventre
- Crescimento ou sensibilidade mamária (em casos raros)
Na presença de qualquer alteração, é fundamental buscar avaliação médica. O diagnóstico envolve exame físico, ultrassonografia e exames laboratoriais.

Tratamento e fertilidade
O tratamento inicial costuma ser cirúrgico, com a retirada do testículo afetado (orquiectomia), podendo ser complementado com quimioterapia ou radioterapia. Como esses procedimentos podem impactar a fertilidade, especialistas recomendam discutir a criopreservação de sêmen antes do início do tratamento.
A ampliação da informação e do acesso ao diagnóstico precoce é considerada essencial para reduzir a mortalidade e melhorar os desfechos da doença.
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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