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Saúde7 outubro 2026

Biópsia líquida antecipa diagnóstico de recidiva de câncer de mama

Estudo de 2026 combina análise de ctDNA e CTCs para detectar doença residual mínima e refinar o risco de recorrência.
Por Redação Afya

O câncer de mama pode recidivar mesmo após o diagnóstico em estágio inicial, inclusive anos depois do tratamento. O acompanhamento atual depende sobretudo de avaliação clínica e exames de imagem, que podem não identificar uma recidiva subclínica (sem sinais ou sintomas aparentes).

Nesse contexto, a detecção de doença residual molecular por biópsia líquida surge como uma estratégia para reconhecer sinais de recorrência antes de sua manifestação clínica, embora ainda não esteja demonstrado que essa antecipação melhore os desfechos clínicos das pacientes. O surgimento de ferramentas mais avançadas contribuem no monitoramento após tratamento e estratificação de risco 

Um estudo prospectivo publicado em 2026 na revista Nature avaliou biópsia líquida em 58 pacientes com câncer de mama em estágio inicial tratadas em hospitais de Málaga, na Espanha. A análise combinou DNA tumoral circulante e células tumorais circulantes para detectar doença residual molecular e investigar o monitoramento do câncer de mama. O objetivo foi antecipar recidivas e refinar a estratificação de risco.

A coorte prospectiva incluiu 58 pacientes com câncer de mama inicial não metastático. Destas, 24 integravam o grupo submetido à quimioterapia neoadjuvante, enquanto 34 foram tratadas com cirurgia primária seguida de terapia adjuvante sistêmica. Em ambos os grupos, a primeira coleta de sangue foi realizada no momento do diagnóstico, antes do início de qualquer tratamento. No grupo neoadjuvante, houve uma coleta adicional após a quimioterapia e antes da cirurgia.

Cerca de um mês após a cirurgia, foi obtida nova amostra sanguínea. Durante o acompanhamento, as coletas passaram a ser realizadas a cada seis meses apenas nas pacientes consideradas de alto risco de recidiva, definidas no estudo pela presença de tumor grau 3, comprometimento linfonodal axilar, HER2 positivo ou câncer de mama triplo-negativo.

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Imagem de freepik

Pacientes com doença residual molecular monitorada

Na avaliação basal, ao menos um biomarcador foi detectado em 67,2% das participantes. Após a cirurgia, essa proporção foi para 53,6%, indicando persistência de sinais tumorais circulantes mesmo após o tratamento local.

Durante o acompanhamento, a detecção da doença residual mínima (DRM) antecipou todas as recidivas (sensibilidade de 100%), um tempo médio de antecipação do diagnóstico da recidiva de 27,95 meses. 

Como o DNA tumoral circulante antecipou as recidivas?

Os autores observaram sensibilidade de 100% para detectar molecularmente as recidivas registradas até aquele momento. Esse resultado correspondeu a apenas seis eventos, o que limita a interpretação da biópsia líquida como ferramenta de vigilância.

O estudo também propôs o escore exploratório L-MRD, que combina variáveis clínicas e moleculares. O modelo apresentou forte desempenho discriminativo (AUC=0,89) e valor preditivo negativo de 97,8%, separando grupos com diferentes riscos de recorrência, mas ainda não passou por validação externa.

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Monitoramento do câncer de mama pode refinar o risco

Os resultados sugerem que combinar ctDNA e células tumorais circulantes pode ampliar a identificação de doença residual após a cirurgia. Segundo os autores, a estratégia também pode apoiar vigilância pós-operatória personalizada e estratificação de risco.

A biópsia líquida ainda não demonstrou que a detecção molecular antecipada melhora os desfechos clínicos ou deve orientar tratamento rotineiro. Os pesquisadores defendem validação multicêntrica e ensaios de vigilância e tratamento guiados por doença residual molecular, mas essa pesquisa abre espaço para melhorar a previsão de recidivas e favorecer novas pesquisas que permitam um monitoramento mais personalizado do câncer de mama em estágio inicial.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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