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Saúde14 julho 2017

Alerta! Cresce o número de pacientes fazendo uso de doses excessivas de vitamina D

A vitamina D é essencial em funções relacionadas ao metabolismo ósseo, porém também está relacionada na fisiopatogênese de diversas doenças.

Por Juliana Festa

A vitamina D é essencial em funções relacionadas ao metabolismo ósseo, porém também está relacionada na fisiopatogênese de diversas doenças. Em crianças, a deficiência de vitamina D leva ao retardo do crescimento e ao raquitismo. Em adultos, a hipovitaminose D leva à osteomalácia, hiperparatiroidismo secundário e, consequentemente, ao aumento da reabsorção óssea, favorecendo a perda de massa óssea e o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose.

Desde 2000, houve um aumento nas pesquisas sobre os possíveis benefícios da vitamina D para a saúde. A dieta recomendada para a vitamina D é de 600 UI/dia para adultos com 70 anos ou menos e 800 UI/dia para pessoas com mais de 70 anos. O limite superior tolerável é de 4.000 UI/dia, acima desse nível o risco de efeitos tóxicos aumenta.

O acompanhamento da dosagem sanguínea da vitamina D faz parte dos protocolos de investigação clínica. O fato de o Brasil ser um país tropical (com muito sol), leva a falsa ideia de que a população brasileira não apresenta deficiência de vitamina D, entretanto este fato não reflete a realidade. Devido à rotina da vida contemporânea, à baixa exposição à luz solar e ao cuidado excessivo com a pele por causa do risco de câncer, a prevalência de deficiência de vitamina D no Brasil é muito alta.

A venda de suplementos de vitamina D teve grande aumento, perseguindo um valor de referência que ainda não está consolidado, levando a ingestão de grandes doses dessa vitamina. O problema é que a suplementação excessiva pode não ser eficaz e até mesmo prejudicar a saúde.

A caracterização das tendências na suplementação de vitamina D, particularmente em doses acima do limite superior tolerável, tem implicações clínicas e importantes e complexas questões de saúde pública.

Vitamina D: posicionamento das sociedades brasileiras sobre os novos valores de referência

suplemento de vitamina d

Tendência de uso de vitamina D

Dados da base National Health and Nutrition Examination Survey foram utilizados para avaliar a tendência de uso de vitamina D entre 1999 a 2014. Aproximadamente 39.300 participantes foram avaliados. A média de idade foi de 46,6 anos (desvio padrão: 16,8) e 51,1% eram do sexo feminino. A prevalência de uso de vitamina D suplementar de 1.000 UI/dia ou mais em 2013-2014 foi de 18,2% (intervalo de confiança [IC] 95%: 16,0% a 20,7%), que foi maior do que em 1999-2000 (0,3%; IC 95%: 0,1% a 0,5%; p para tendência <0,001).

Em 2013-2014, a prevalência de ingestão suplementar de 4.000 UI/dia ou mais foi de 3,2% (IC 95%: 2,5% a 4,0%). Antes de 2005-2006, a prevalência da ingestão de 4.000 UI/dia ou mais era inferior a 0,1% (p para a tendência de 2007-2014: <0,001).

Em relação as características, em 2013-2014, a ingestão de 4.000 UI/dia ou mais foi maior entre as mulheres (4,2%; IC 95%: 3,0% a 5,7%), indivíduos brancos não hispânicos (3,9%; IC 95%: 3,0% a 5,1%) e naqueles com 70 anos ou mais (6,6%; IC 95%: 4,2% a 10,2%).

De 1999 a 2014, o número de adultos dos EUA que adotaram suplementos diários de vitamina D de 1.000 UI ou mais e 4.000 UI ou mais aumentou. Em geral, 3% da população excedeu o limite superior tolerável de 4.000 UI/dia e pode estar em risco de efeitos adversos como consequência e 18% excederam 1.000 UI/dia.

Vitamina D e a Esclerose Múltipla

Dr. Henrique Cal, neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, fala das recomendações da Academia Brasileira sobre a suplementação de vitamina D em pacientes com Esclerose Múltipla:

“A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) recomenda, para pacientes com Esclerose Múltipla, a suplementação de vitamina D em doses capazes de manter os níveis séricos dos pacientes entre 40 ng/mL e 100 ng/mL.

Reunindo uma série de estudos sobre o tema, a ABN faz algumas considerações:

– Nos últimos anos, têm sido identificadas associações da vitamina D com doenças autoimunes e neoplasias, porém essas ainda não foram totalmente elucidadas. Provavelmente, ela tem um papel importante no processo fisiopatológico da Esclerose Múltipla, embora não plenamente definido. É possível que, em pacientes com síndrome desmielinizante isolada (pré-diagnóstico de EM), as baixas concentrações séricas de vitamina D possam influenciar o risco relativo de conversão para EM.

– Ainda não há consenso entre as várias sociedades científicas sobre os níveis séricos de vitamina D ideais para as necessidades do metabolismo humano. Estudo in vitro com células do sangue periférico de pacientes em uso de vitamina D evidenciou que níveis séricos acima de 40 ng/mL podem provocar ação moduladora nas células do sistema imune.

– Baseando-se num estudo realizado em indivíduos saudáveis, que demonstrou que o uso de 5.000 UI de vitamina D por dia, durante 15 semanas, aumentou os níveis até 60 ng/mL; logo, doses até 10.000 UI dia foram consideradas seguras para se alcançar a meta de 40 a 100 ng/mL.

– Efeitos colaterais: o quadro clínico de intoxicação por vitamina D pode apresentar sinais e sintomas diversos: náusea e vômito, anorexia, dor abdominal, obstipação; polidipsia, poliúria, desidratação, nefrolitíase, nefrocalcinose, diabetes insipidus nefrogênico, nefrite intersticial crônica, insuficiência renal aguda e crônica; hipotonia, parestesias, confusão mental, crise convulsiva, apatia, coma; arritmia, bradicardia, hipertensão, cardiomiopatia; fraqueza muscular, calcificação, osteoporose; calcificação conjuntival. Hipercalcemia é o mais importante efeito colateral e quando observado laboratorialmente sugere intoxicação.”

Nova recomendação sobre modelo de laudo laboratorial para a Vitamina D – 25(OH)D

Referências:

  • Rooney MR, Harnack L, Michos ED, Ogilvie RP, Sempos CT, Lutsey PL. Trends in Use of High-Dose Vitamin D Supplements Exceeding 1000 or 4000 International Units Daily, 1999-2014.JAMA. 2017 Jun 20;317(23):2448-2450. doi: 10.1001/jama.2017.4392.
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