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Reumatologia12 junho 2026

Lúpus e esclerose sistêmica: estudo com células CAR-T traz resultados promissores

Estudo avaliou a segurança e a eficácia de terapia com células CAR-T no lúpus eritematoso sistêmico grave refratário ou esclerose sistêmica
Por Gustavo Balbi

As terapias com células CAR-T já vem sendo usadas no tratamento de doenças onco-hematológicas há vários anos, sendo que sua primeira aprovação pelo FDA data de 2017. No entanto, mais recentemente, ela está sendo testada para o tratamento de doenças reumáticas imunomediadas com resultados bastante promissores, inclusive com relatos de remissão sustentada de doença, sem uso de fármacos, por cerca de 5 anos.

A experiência clínica com esse tratamento foi muito centrada no linfócito B, com construtos direcionados contra o CD19 (CAR-T anti-CD19). No entanto, os plasmócitos de longa duração, responsáveis pela manutenção da produção de autoanticorpos, são relativamente resistentes à terapia anti-CD19. Por esse motivo, outros mecanismos de ação, como o CAR-T anti-BCMA, também estão em estudo. O BCMA é o antígeno de maturação do linfócito B, está presente nos plasmablastos e plasmócitos de longa duração e é necessário para a sobrevida dessas células.

Kfir-Erenfeld et al. publicaram recentemente os resultados de um estudo de fase 1 sobre o uso de CAR-T anti-BCMA em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e esclerose sistêmicas (ES).

Lúpus e esclerose sistêmica: estudo com células CAR-T traz resultados promissores

Método do estudo

Trata-se de um ensaio clínico de fase 1 em andamento do HBI0101 em seis pacientes com lúpus eritematoso sistêmico grave (n = 3) ou esclerose sistêmica (n = 3).

Resultados 

A idade mediana foi de 41 anos (intervalo: 21–65), a duração mediana da doença foi de 2,7 anos (intervalo: 1,1–20,5), e os pacientes haviam recebido uma mediana de 3,5 linhas anteriores de terapia imunomoduladora (intervalo: 2–9). O tempo mediano de acompanhamento foi de seis meses (intervalo: 6–9).

A terapia com CAR-T anti-BCMA foi bem tolerada pelos pacientes incluídos. Dois pacientes desenvolveram neutropenia (graus 3 a 4), que foi bem controlada com medidas de suporte. Outros três apresentaram hipogamaglobulinemia e precisaram de reposição de imunoglobulina por via intravenosa. A síndrome de liberação de citocinas afetou cinco participantes (três casos de grau 2 e dois de grau 1), e foi tratada com tocilizumabe em todos os casos; apenas 1 recebeu corticoides em altas doses. Um paciente apresentou suspeita de toxicidade local associada a células efetoras imunes (LICATS) leve (grau 1), identificada pelo surgimento de um rash passageiro; quadro regrediu completamente após cinco dias de tratamento com prednisona em baixa dose. Não houve nenhum registro de síndrome de neurotoxicidade associada a células efetoras imunes (ICANS).

Em relação aos resultados clínicos, o índice de atividade da doença no lúpus eritematoso sistêmico (SLEDAI-2K) zerou em dois pacientes e caiu para 4 em um terceiro. Já nos quadros de esclerose sistêmica, o comprometimento da pele melhorou nos três pacientes, o que foi evidenciado pela queda no escore de Rodnan modificado e nos índices de atividade do European Scleroderma Trials and Research (EUSTAR).

Saiba mais: O que temos de novidades em lúpus eritematoso sistêmico (LES)? 

Comentário e mensagem prática 

Apesar de ser um estudo de fase 1 e ainda longe de ser aplicado como rotina na prática clínica, o uso da terapia com células CAR-T anti-BCMA demonstrou resultados promissores em pacientes com LES e ES multifalhados a tratamentos prévios.

Esse estudo agrega ao crescente corpo de evidência a respeito do uso de células CAR-T no tratamento das DRIM, que vem demonstrando resultados impressionantes no tratamento de pacientes refratários a outros tipos de terapia.

Autoria

Foto de Gustavo Balbi

Gustavo Balbi

Editor-chefe de Clínica Médica da Afya • Residência em Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Reumatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro • Doutorando pela USP • Professor de Reumatologia da Universidade Federal de Juiz de Fora • Chefe do serviço de Clínica Médica do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora • Membro da Comissão de Síndrome Antifosfolípide e da Comissão de Vasculites da Sociedade Brasileira de Reumatologia

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Referências bibliográficas

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