Paciente do sexo feminino, 38 anos, médica emergencista, atua em diversos hospitais privados de grande porte há 12 anos, busca atendimento psiquiátrico por telemedicina. Relata cansaço intenso, sensação persistente de esgotamento físico e mental e dificuldade para lidar com as demandas do trabalho. Refere que, nos últimos dois anos, houve aumento significativo da carga horária, acúmulo de funções administrativas e pressão constante por produtividade.
Diz que já acorda cansada e fica sem energia ao longo do dia para realizar suas tarefas. Percebe-se menos empática com os pacientes, irritando-se com suas queixas e demanda, evitando interações além do estritamente necessário. Tem feito seu trabalho de forma mecânica e não vê mais propósito nele, sentindo-se um fracasso. Seu desempenho profissional também vem piorando ao longo dos meses, tem dificuldade de concentração, procrastina tarefas e as realiza de forma menos efetiva, apesar de não cometer erros técnicos significativos.
Nega anedonia, alterações de humor em outros contextos da sua vida ou ideação suicida. Apresenta insônia de manutenção durante períodos de maior sobrecarga, sem queixas significativas nos períodos de afastamento do trabalho. Recentemente saiu de férias com melhora do humor e da energia, mas houve recidiva dos sintomas poucas semanas após o retorno ao trabalho. Nega uso de substâncias. Nega histórico de transtornos mentais.
Qual a condição apresentada pela paciente e qual a melhor conduta para o caso?
ASíndrome de Burnout, realizar atendimento presencial para estabelecimento de nexo causal entre a condição apresentada e a atividade laboral antes das demais condutas
BSíndrome de Burnout, afastamento imediato do trabalho
CTranstorno Depressivo Maior, afastamento imediato do trabalho
DTranstorno Depressivo Maior, iniciar ISRS
Autoria

Tayne Miranda
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com residência médica em Psiquiatria (2022) e mestrado em Psicologia Social (2025) pela Universidade de São Paulo (USP). Além da atuação na Afya, também atende no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) e em consultório particular.
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