Nova etapa do SNCR amplia receitas eletrônicas de medicamentos controlados, retatrutida atinge 23,4% de perda de peso e um em cada oito novos casos de câncer é atribuível a infecções
No episódio de hoje, você confere as mudanças práticas da RDC 1.000/2025 da Anvisa para prescrição digital, os resultados robustos da retatrutida em diabetes tipo 2 e obesidade no estudo TRIUMPH-2, além de dados globais sobre a fração de casos de câncer causados por infecções evitáveis.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- RDC 1.000/25 está valendo: saiba tudo sobre a nova regra de prescrição digital de medicamentos controlados pela Anvisa
- Retatrutida demonstra perda de peso de até 23,4% em pacientes com diabetes tipo 2 no estudo TRIUMPH-2 publicado no The Lancet
- Análise da IARC estima que 12% dos novos casos de câncer no mundo são atribuíveis a infecções evitáveis
O que importa hoje: nova etapa do SNCR amplia receitas eletrônicas de medicamentos controlados
Entrou em vigor em 30 de setembro de 2026 uma nova etapa do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), prevista na RDC Anvisa nº 1.000/2025. A medida permite a emissão eletrônica, por plataformas integradas à Anvisa, das Notificações de Receita A, B, B2, de retinoides sistêmicos e de talidomida, sem tornar obrigatório o formato digital.
Para receitas de controle especial e sujeitas à retenção, papel e receitas eletrônicas coexistem até 29 de outubro. A Afya promove live gratuita sobre o tema em 1º de outubro, às 19h. Para médicos, a mudança não altera a decisão terapêutica, mas afeta a validade formal da prescrição.
A numeração segue sendo solicitada à Vigilância Sanitária local, vinculada ao CPF do prescritor e com faixas distintas para o meio eletrônico. Falhas no modelo ou no processo podem impedir a dispensação, mesmo com indicação correta.
O que muda na prática: retatrutida reduz até 23,4% do peso em pacientes com diabetes tipo 2 no estudo TRIUMPH-2
O estudo de fase 3 TRIUMPH-2, publicado no The Lancet e apresentado no congresso da EASD, avaliou a retatrutida, triplo agonista dos receptores de GLP-1, GIP e glucagon, em cerca de 1.152 adultos com diabetes tipo 2 e sobrepeso ou obesidade.
Na dose semanal de 12 mg, a perda média de peso foi de 20,8%, contra 4% com placebo. Entre participantes com IMC igual ou superior a 35, a redução chegou a 23,4%. Até 40% atingiram hemoglobina glicada na faixa da normalidade.
Para médicos, os dados sinalizam uma nova geração de terapias para a doença cardiometabólica, com melhora também de triglicerídeos, colesterol não-HDL e proteína C-reativa. O fármaco ainda não está aprovado em nenhum país, os eventos adversos foram mais frequentes nas doses maiores, e o pedido de registro ao FDA está previsto para o início de 2027.
Radar: um em cada oito novos casos de câncer no mundo é atribuível a infecções, estima IARC
Análise da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), publicada no The Lancet Oncology, estima que cerca de 2,3 milhões dos novos casos de câncer registrados em 2024, aproximadamente 12%, foram causados por infecções.
Os principais agentes foram H. pylori (cerca de 760 mil casos, sobretudo gástricos), HPV (750 mil, com predomínio do câncer do colo do útero), HBV (360 mil), EBV (260 mil) e HCV (160 mil). A carga foi maior no Leste e Sudeste Asiático, na África Subsaariana e no Leste Europeu.
Para médicos, os dados reforçam que boa parte desses tumores é evitável com ferramentas já disponíveis: vacinação contra HPV e hepatite B, testagem e tratamento de H. pylori, HBV, HCV e HIV, e rastreamento do câncer do colo do útero. Incorporar essas ações à rotina clínica é uma estratégia de prevenção oncológica de alto impacto.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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