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Pediatria28 março 2023

Uso de antitérmicos em Pediatria

Posso intercalar medicamentos para febre?A febre é uma queixa frequente na Pediatria e estima-se que cerca de 1/3 dos atendimentos pediátricos sejam por este motivo. Na angústia dos pais em aliviar es…

Por Sabrina Santos

Posso intercalar medicamentos para febre?

A febre é uma queixa frequente na Pediatria e estima-se que cerca de 1/3 dos atendimentos pediátricos sejam por este motivo. Na angústia dos pais em aliviar esse sintoma, várias medidas são tomadas como banhos e compressas, e muitas vezes esses pais são orientados a intercalar medicamentos. Mas será que essa realmente é a recomendação adequada?

A definição de febre varia de acordo com o local da aferição e da referência utilizada, mas no geral considera-se febre temperaturas acima de:

  • 37,2 ºC: se aferida na região axilar
  • 37,5 ºC: na aferição por via oral
  • 37,8 ºC: na região auricular
  • 38 ºC: na temperatura retal

Apesar dos valores descritos como febre, a recomendação é de que a criança receba tratamento com medicamentos, quando essa febre está associada a sinais de desconforto como irritabilidade, inapetência, choro etc

Os métodos físicos, ainda muito utilizados na prática, como banhos mornos e uso de compressas umedecidas na testa, entre outros, não são recomendados, exceto nos casos definidos como hipertermia, onde a temperatura corporal atinge valor igual ou maior do que 40 ºC e há presença de alterações do sistema nervoso central.

São 3 antitérmicos utilizados em nosso país: dipirona, ibuprofeno e paracetamol. A dipirona e o paracetamol têm somente ação antitérmica e analgésica, enquanto o ibuprofeno, a depender da dose utilizada, tem também ação anti-inflamatória.

Todos esses medicamentos têm o mesmo mecanismo de ação: inibem a ação de enzimas cicloxigenases (COX 1 e 2) e, com isso, diminuem a ação de prostaglandinas que vão atuar no hipotálamo e, consequentemente, elevar a temperatura corporal.

Sendo assim, embora na prática seja uma orientação comum o uso de antitérmicos intercalados, essa medida, além de não trazer nenhum efeito benéfico, aumenta o risco de efeitos colaterais e/ou intoxicações.

Referência bibliográfica

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia (2019-2021). Manejo da febre aguda. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23229e-DC_Manejo_da_febre_aguda_SITE.pdf. Acesso em: 19 out de 2022.

Autoria

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Sabrina Santos

Redator em Pedpapers. Graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011). Residência em pediatria no Hospital Infantil Menino Jesus e título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – 2014. Pós-graduação em homeopatia e título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB) - 2016. Pós-graduada em Pediatria Integrativa - 2024. MBA em Gestão de Serviço Privado de Imunização Humana - 2025.

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