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Carreira27 dezembro 2024

Prova de Residência Médica - Pediatria - Reanimação neonatal

Relembre os pontos-chave sobre as Diretrizes de Reanimação Neonatal a partir de 34 semanas de idade gestacional (IG) da SBP

Seguindo a série de posts sobre os principais temas em Pediatria que devemos focar para as provas de residência, vamos relembrar os pontos-chave sobre as Diretrizes de Reanimação Neonatal a partir de 34 semanas de idade gestacional (IG) da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) de 2022 baseadas no International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) – Neonatal Life Support Task Force.

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Conceito geral

A asfixia perinatal é responsável por 30-35% das mortes neonatais mundialmente e é a terceira causa básica de óbito no Brasil de crianças abaixo de 5 anos, perdendo só para prematuridade e anomalias congênitas.

Fazer a reanimação neonatal imediata por profissional capacitado é um dos principais passos para reduzir a morbimortalidade causada por asfixia perinatal, além de um ter um pré-natal adequado e tratar as complicações do processo asfíxico.

Ao nascer, 20% dos neonatos não choram ou não respiram, sendo que de todos neonatos há necessidade de: ventilação com pressão positiva em 10%; intubação endotraqueal em 1-2%; reanimação avançada em 0,1-0,3%.

Pontos de atenção a serem estudados

Preparação para receber o neonato

Recomenda-se que existam 2-3 profissionais treinados e capacitados na sala de parto para reanimação neonatal, e que sempre haja um pediatra.

Idealmente, antes do nascimento deve-se:

  • Avaliar por meio de anamnese materna os riscos da demanda da reanimação (ex. idade gestacional <39 ou > 41 semanas, pós-datismo, se foi identificada alguma doença materna ou alteração fetal durante a gestação, cesárea e complicações do parto);
  • Preparar e testar todo material necessário para receber o neonato assim como o profissional deve fazer higienização das mãos, se paramentar com avental/pijama cirúrgico, máscara e se necessário touca e proteção facial;
  • A equipe deve estar ciente do papel de cada um na reanimação;
  • Temperatura do ambiente da sala de parto de 23-25 graus a fim de obter temperatura corporal do neonato de 36,5-37,5o

Clampeamento tardio do cordão umbilical no neonato 34 semanas

A definição de clampeamento tardio é variável de um mínimo de 60 segundos até alguns minutos após cessar sua pulsação.

O clampeamento tardio tem os seguintes benefícios: facilita a transição cardiorrespiratória após o parto, aumenta a concentração de hemoglobina nas primeiras 24 horas e diminui a anemia do lactente. Entretanto, pode elevar o risco de policitemia.

Está indicado em neonato com boa vitalidade, sendo contraindicado em neonato que não respira logo ao nascer ou sem boa vitalidade.

Leia mais: Via aérea e ventilação na parada cardiorrespiratória pediátrica

Reanimação de neonato a partir de 34 semanas de idade gestacional

Seguir os seguintes passos assim que o RN a partir de 34 semanas de IG nasce:

1) Verificar: RESPIRA OU CHORA? TÔNUS MUSCULAR EM FLEXÃO?

à Se SIM para TODAS as perguntas (PASSO A): fazer clampeamento tardio do cordão, colocar em contato pele-a-pele com a mãe, manter normotermia e vias aéreas pérvias, reavaliar continuamente a vitalidade do RN.

à Se NÃO para pelo menos uma pergunta (PASSO B), abordar na seguinte ordem:

  1. Colocar sob fonte de calor radiante, secar corpo, posicionar a cabeça e aspirar vias aéreas se obstruídas (PASSO B1);
  2. Verificar: FC<100bpm (por meio da ausculta do precórdio), apneia ou respiração (PASSO B2)
    • NÃO: Há desconforto respiratório ou saturação pré-ductal < alvo*?

Se HOUVER, monitorizar saturação pré-ductal e avaliar CPAP (pressão positiva contínua em vias aéreas).

Se NÃO HOUVER, proceder como PASSO A.

SIM à ainda no 1º minuto de vida, iniciar ventilação com pressão positiva (VPP) com máscara e balão autoinflável com ar ambiente**. Monitorizar com oxímetro de pulso e eletrodos cardíacos.

Se após 30 segundos, frequência cardíaca (FC) < 100bpm (acompanhar pela monitorização cardíaca), rever a técnica de VPP com máscara e balão autoinflável, avaliar máscara laríngea ou intubação traqueal. à Se FC <60bpm, fazer VPP com balão autoinflável em tubo orotraqueal (TOT) com fração inspirada de oxigênio (FiO2) a 100% coordenada com massagem cardíaca na relação de 3 ventilações para 1 massagem cardíaca.

Considerar cateterismo venoso. à Reavaliar a cada 30 segundos, se FC permanecer < 60bpm, manter ciclos de 3 ventilações em TOT com balão autoinflável com FiO2 a 100% para 1 massagem cardíaca, avaliar adrenalina endovenosa (EV) na dose de 0,2mL/kg da solução de 1mL de adrenalina 1mg/mL +9mL de soro fisiológico a 0,9% e expansor de volume na dose de 10mL/kg de soro fisiológico via EV.

 

**Se a saturação pré-ductal estiver abaixo do alvo, elevar a FiO2 para 40% e esperar 30 segundos. Se não melhorar a saturação, elevar a FiO2 para 60% e assim sucessivamente a cada 30 segundos se não atingir SatO2 alvo.

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