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Pediatria23 fevereiro 2026

Diretriz aborda transição do paciente da endocrinologia pediátrica para adulto

Diretriz publicada no European Journal of Endocrinology orienta transição do cuidado em endocrinopatias da adolescência para a vida adulta.

A fim de otimizar a transição de cuidado de pacientes do endocrinopediatra para endocrinologista de adulto, Le Roux e colaboradores fizeram um consenso europeu para padronizar boas recomendações publicado em European Journal of Endocrinology em fevereiro de 2026. Neste artigo, resumimos essas recomendações conforme faixa etária. 

A equipe para acompanhar paciente com endocrinopatia deve ser composta por endocrinopediatra e depois endocrinologista de adulto que pode ser associada a outros profissionais como educador do paciente, coordenador de transição, enfermeiros, assistente social, psicólogo e/ou aconselhamento genético/fertilidade. 

Recomendações conforme a idade 

De 14-15 anos de idade, é necessário discutir inicialmente sobre a transição e limitações de serviço relacionadas à idade: 

  1. Apresentar o cronograma e fazer consultas médicas a cada 3-6 meses; 
  2. Começar a ter parte do atendimento médico independente por 5-10 min; 
  3. Apresentar o resumo médico; 
  4. Definir metas a serem alcançadas antes da transferência; 
  5. Fazer questionário de Avaliação do Preparo para a Transição (TRAQ) ou similar (linha de base); 
  6. Fazer questionário de triagem HEADSS, que é um questionário que avalia o lar do adolescente, escola, se há abuso de substâncias, os relacionamentos, sinais de depressão, abuso ou se sente seguro; 
  7. Avaliação psicossexual; 
  8. Triagem de saúde mental; 
  9. Fornecer orientações para os pais recebem sobre como apoiar a independência gradual. 

De 16-17 anos de idade, fazer 1ª consulta conjunta pediátrica-adulta: 

  1. Paciente conhece a equipe de adultos e conduz a maior parte da consulta com menos envolvimento dos pais; 
  2. Preencher o passaporte de transição; 
  3. Repetir TRAQ ou similar; 
  4. Estimular o desenvolvimento de habilidades para a vida: direção, educação/emprego, saúde sexual, comportamentos de risco; 
  5. Triar complicações; 
  6. Estimular o desenvolvimento de habilidades de autogestão; 
  7. Consultas médicas a cada 3-6 meses, incluindo 1 consulta conjunta; 
  8. Avaliar a prontidão dos pais e do paciente separadamente; 
  9. Transferência gradual de responsabilidade. 

De 17-18 anos de idade, fazer 2ª consulta conjunta pediátrica-adulta: 

  1. Fazer resumo médico completo; 
  2. Explicar a importância de continuar o seguimento médico; 
  3. Apresentar plano de cuidados de emergência com planejamento da data formal de transferência; 
  4. Fazer novo questionário TRAQ final ou similar antes da transferência; 
  5. Consulta médica a cada 3-6 meses, idealmente incluindo 1 consulta conjunta; 
  6. Pais incentivados a comparecer à próxima primeira consulta adulta (com consentimento do paciente); 
  7. Transferência gradual de responsabilidade até atingir seu nível máximo. 

De 18-19 anos de idade, fazer transferência formal para o serviço de adultos: 

  1. Envio de resumo médico e carta de transição; 
  2. Primeira consulta com endocrinologista de adulto em até 3 meses (CRÍTICO) após a transferência; 
  3. Equipe pediátrica disponível para esclarecimento de dúvidas; 
  4. Revisar habilidades de autogestão e protocolos de emergência; 
  5. Fazer lembretes (SMS, e-mail) para consultas; 

De 19-22 anos de idade, fazer acompanhamento contínuo com endocrinologista de adulto: 

  1. Monitorar frequência nas consultas, ligar se faltar e fazer consultas médicas a cada 3-6 meses; 
  2. Coletar feedback de pacientes e pais; 
  3. Rastrear complicações; 
  4. Avaliar psicossocialmente continuamente; 
  5. Apoiar ao planejamento de carreira/família; 
  6. Reforçar autonomia no autocuidado se necessário. 

É importante ter integração com a coordenação com a atenção primária para: 

  1. Reavaliar as necessidades psicossociais, monitorando as frequências às consultas, investigar faltas e tentar entender as dificuldades; 
  2. Triagem de saúde mental; 
  3. Articular com os pais para fornecer apoio ao paciente quando necessário. 

Conclusão 

Essa diretriz europeia traz importantes recomendações para a transição do cuidado pediátrico para adulto para pacientes com endocrinopatias. No dia a dia, muitas dessas recomendações são difíceis de serem alcançadas pela falta de integração entre equipes pediátricas com as de adultos e com a atenção primária.  

Autoria

Foto de Renata Carneiro da Cruz

Renata Carneiro da Cruz

Editora médica de Pediatria da Afya ⦁ Mestre em Saúde Materno-Infantil pela UFRJ ⦁ Residência em Pediatria Geral pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Residência em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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Referências bibliográficas

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