A fim de otimizar a transição de cuidado de pacientes do endocrinopediatra para endocrinologista de adulto, Le Roux e colaboradores fizeram um consenso europeu para padronizar boas recomendações publicado em European Journal of Endocrinology em fevereiro de 2026. Neste artigo, resumimos essas recomendações conforme faixa etária.
A equipe para acompanhar paciente com endocrinopatia deve ser composta por endocrinopediatra e depois endocrinologista de adulto que pode ser associada a outros profissionais como educador do paciente, coordenador de transição, enfermeiros, assistente social, psicólogo e/ou aconselhamento genético/fertilidade.

Recomendações conforme a idade
De 14-15 anos de idade, é necessário discutir inicialmente sobre a transição e limitações de serviço relacionadas à idade:
- Apresentar o cronograma e fazer consultas médicas a cada 3-6 meses;
- Começar a ter parte do atendimento médico independente por 5-10 min;
- Apresentar o resumo médico;
- Definir metas a serem alcançadas antes da transferência;
- Fazer questionário de Avaliação do Preparo para a Transição (TRAQ) ou similar (linha de base);
- Fazer questionário de triagem HEADSS, que é um questionário que avalia o lar do adolescente, escola, se há abuso de substâncias, os relacionamentos, sinais de depressão, abuso ou se sente seguro;
- Avaliação psicossexual;
- Triagem de saúde mental;
- Fornecer orientações para os pais recebem sobre como apoiar a independência gradual.
De 16-17 anos de idade, fazer 1ª consulta conjunta pediátrica-adulta:
- Paciente conhece a equipe de adultos e conduz a maior parte da consulta com menos envolvimento dos pais;
- Preencher o passaporte de transição;
- Repetir TRAQ ou similar;
- Estimular o desenvolvimento de habilidades para a vida: direção, educação/emprego, saúde sexual, comportamentos de risco;
- Triar complicações;
- Estimular o desenvolvimento de habilidades de autogestão;
- Consultas médicas a cada 3-6 meses, incluindo 1 consulta conjunta;
- Avaliar a prontidão dos pais e do paciente separadamente;
- Transferência gradual de responsabilidade.
De 17-18 anos de idade, fazer 2ª consulta conjunta pediátrica-adulta:
- Fazer resumo médico completo;
- Explicar a importância de continuar o seguimento médico;
- Apresentar plano de cuidados de emergência com planejamento da data formal de transferência;
- Fazer novo questionário TRAQ final ou similar antes da transferência;
- Consulta médica a cada 3-6 meses, idealmente incluindo 1 consulta conjunta;
- Pais incentivados a comparecer à próxima primeira consulta adulta (com consentimento do paciente);
- Transferência gradual de responsabilidade até atingir seu nível máximo.
De 18-19 anos de idade, fazer transferência formal para o serviço de adultos:
- Envio de resumo médico e carta de transição;
- Primeira consulta com endocrinologista de adulto em até 3 meses (CRÍTICO) após a transferência;
- Equipe pediátrica disponível para esclarecimento de dúvidas;
- Revisar habilidades de autogestão e protocolos de emergência;
- Fazer lembretes (SMS, e-mail) para consultas;
De 19-22 anos de idade, fazer acompanhamento contínuo com endocrinologista de adulto:
- Monitorar frequência nas consultas, ligar se faltar e fazer consultas médicas a cada 3-6 meses;
- Coletar feedback de pacientes e pais;
- Rastrear complicações;
- Avaliar psicossocialmente continuamente;
- Apoiar ao planejamento de carreira/família;
- Reforçar autonomia no autocuidado se necessário.
É importante ter integração com a coordenação com a atenção primária para:
- Reavaliar as necessidades psicossociais, monitorando as frequências às consultas, investigar faltas e tentar entender as dificuldades;
- Triagem de saúde mental;
- Articular com os pais para fornecer apoio ao paciente quando necessário.
Conclusão
Essa diretriz europeia traz importantes recomendações para a transição do cuidado pediátrico para adulto para pacientes com endocrinopatias. No dia a dia, muitas dessas recomendações são difíceis de serem alcançadas pela falta de integração entre equipes pediátricas com as de adultos e com a atenção primária.
Autoria

Renata Carneiro da Cruz
Editora médica de Pediatria da Afya ⦁ Mestre em Saúde Materno-Infantil pela UFRJ ⦁ Residência em Pediatria Geral pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Residência em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.