As infecções de sítio cirúrgico (ISC) são definidas como infecções ocorrendo dentro de 30 dias após a cirurgia ou dentro de 1 ano após cirurgia com colocação de implante. São um grande problema para a população geral podendo acontecer entre 2,5 e 11% após procedimentos e com as cirurgias ortopédicas sendo particularmente vulneráveis.
Uma infecção de sítio cirúrgico aumenta muito o tempo de estadia no hospital, além de ser responsável pelo maior uso de antimicrobianos e reoperações, consequentemente aumentando muito os custos aos sistemas de saúde. A terapia por pressão negativa (TPN) surgiu como uma estratégia para diminuir as chances de ISC pelo aumento da perfusão, redução de edema e controle bacteriano.

Metodologia
As evidências atuais permanecem esparsas quanto ao benefício da TPN, com poucos ensaios clínicos randomizados (ECR). Diante disso, foi publicado recentemente no “Journal of Orthopaedics and Traumatology” uma revisão sistemática e meta-análise com o objetivo de sintetizar dados de ECRs e esclarecer a eficácia da TPN na prevenção infecções de sítio cirúrgico em procedimentos ortopédicos e de trauma.
O estudo avaliou as bases de dados PubMed, Web of Science, Scopus e Cochrane até agosto de 2025. Apenas ensaios clínicos randomizados (ECR) comparando terapia por pressão negativa com curativos tradicionais em pacientes submetidos a substituição articular, cirurgia de trauma ou cirurgia de coluna foram incluídos. Resultados agrupados foram avaliadas com odds ratios (ORs) calculadas para variáveis dicotômicas e diferenças médias (MDs) para variáveis contínuas.
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Resultados
No geral, foram incluídos 18 ECRs, abrangendo um total de 4585 pacientes. A metanálise demonstrou que a TPN reduziu significativamente as infecções de sítio cirúrgico (OR agrupado 0,64, IC 95% 0,50–0,82; p = 0,0005) e a deiscência da ferida (OR agrupado 0,39, 95% IC 0,23–0,65; p = 0,0003). Além disso, a TPN foi associada a uma redução no tempo de internação hospitalar em 0,87 dias (MD −0,87, IC 95% −1,36 a −0,38; p = 0,0005) e menos trocas de curativos em comparação com métodos convencionais.
Mensagem prática
Apesar da TPN parecer oferecer um benefício clínico significativo na redução da incidência de ISC em cirurgias ortopédicas e de trauma, a certeza da evidência é moderada e estes resultados devem ser interpretados com cautela. ECRs multicêntricos melhores projetados são necessários para confirmar esses benefícios, avaliar resultados em longo prazo e avaliar a relação custo-efetividade.
Autoria

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁ Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁ Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)
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