A tenossinovite de De Quervain é uma patologia muito frequente na população e é resultado da compressão dos tendões abdutor longo e extensor curto do polegar no primeiro compartimento extensor do punho. O tratamento inicial pode ser realizado com anti-inflamatório orais, ortetização incluindo o polegar e fisioterapia. Quando não é eficaz pode-se recorrer à infiltração com corticoesteróides ou à cirurgia.
O acesso cirúrgico pode ser realizado de forma transversa tendo a vantagem de ser melhor esteticamente por ser paralelo às linhas de tensão da pele e a desvantagem de gerar maior chance de lesão iatrogênica do ramo sensitivo do nervo radial. Também pode ser realizado de forma longitudinal com a vantagem de melhor exposição dos tendões e proteção do nervo sensitivo radial, porém com pior resultado estético.
Veja também: Acesso longitudinal ou transverso na tenossinovite de De Quervain

Metodologia
Esses resultados são oriundos de pequenos estudos de coorte e as revisões sistemáticas são escassas. Nesse sentido, foi publicado recentemente na revista “Medicina” um estudo com o objetivo de integrar o corpo atual de literatura para avaliar os resultados relacionados a incisões transversas versus longitudinais no tratamento da tenossinovite de De Quervain.
O estudo foi uma revisão sistemática nas bases de dados Medline, Scopus e Cochrane até janeiro de 2026. Foram incluídos estudos com pacientes com De Quervain tratados cirurgicamente após falha do tratamento conservador comparando resultados clínicos separados para incisões transversais e longitudinais incluindo pelo menos 10 pacientes com 18 anos ou mais para garantir dados suficientes para análise.
Foram excluídos estudos que não relatam desfechos clínicos, que relatam resultados incompletos ou mistos sem distinção entre os tipos de incisão e estudos que consideraram procedimentos adjuvantes (como procedimentos para subluxação de tendão ou procedimentos para patologias adicionais). O principal desfecho foi a incidência de lesões em estruturas anatômicas adjacentes, incluindo lesões no ramo superficial do nervo radial, lesões tendíneas e lesões venosas. Os desfechos secundários incluíram formação de cicatriz hipertrófica, infecção da ferida e alteração pós-operatória na intensidade da dor, medida pela Escala Visual Analógica (EVA).
Resultados
Os dados de 17 pacientes não estavam disponíveis devido à perda de seguimento; portanto, 243 punhos (242 pacientes) foram incluídos na análise quantitativa. O grupo com incisão transversa consiste em 114 casos e o grupo com incisão longitudinal em 129 casos. Embora tenha havido uma taxa menor de lesão do sensitivo radial no grupo longitudinal (5,4% vs. 7% no grupo transversal), a diferença não atingiu significância estatística (OR = 2,17; IC 95%, 0,39–11,99; p = 0,37; I² = 30%).
Da mesma forma, não houve diferença significativa no risco de lesão venosa (RD = 0,06; IC 95%, −0,03 a 0,14; p = 0,21; I² = 61%), formação de cicatriz hipertrófica (OR = 1,39; IC 95%, 0,32 a 6,04; p = 0,66; I² = 35%) e infecção da ferida (RD = 0,00; IC 95%, −0,03 a 0,03; p = 0,93; I² = 0%). Embora ambas as abordagens tenham resultado em melhora significativa da dor, não foi observada diferença estatisticamente significativa na dor pós-operatória entre os tipos de incisão, conforme avaliado pela EVA para dor (diferença média = 0,30; IC 95%, −0,70 a 1,30; p = 0,56; I² = 43%).
Mensagem prática
Pela revisão não foram identificadas diferenças significativas entre as técnicas de incisão para De Quervain em termos de taxas de complicações e resultados de dor pós-operatória. Na prática, para um cirurgião pouco experiente a técnica longitudinal parece ser menos perigosa por permitir uma melhor visualização de estruturas adjacentes. Corroborando o resultado do artigo, para cirurgiões experientes os resultados tendem a ser parecidos entre as técnicas com a escolha dependendo da preferência do cirurgião.
Autoria

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁ Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁ Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)
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