O labrum é uma estrutura fibrocartilaginosa que se projeta da borda acetabular e compõe a articulação do quadril, sendo importante na manutenção da estabilidade, vedação e lubrificação da articulação. A lesão dessa estrutura é comum e ocorre em metade dos pacientes com sintomas mecânicos, mais comumente associado a impacto femoroacetabular e gerando dor e perda dessas funções.
Existe um debate sobre os resultados de reparo labral ou debridamento para o tratamento dessa patologia, com defensores de ambos os lados, porém com estudos limitados a pequenas series de casos ou pequenos ensaios clínicos. Foi publicado no último mês na revista “Bone and Joint Open” um estudo desenvolvido em Newcastle e Cambridge com o objetivo de comparar escores pré e pós-operatórios de pacientes submetidos a reparo labral artroscópico ou debridamento.
O estudo
Foram selecionados prontuários de um registro britânico de todos os pacientes maiores de 18 anos submetidos a procedimentos artroscópicos de reparo ou debridamento labral para tratamento de impacto femoroactebular entre janeiro de 2012 e julho de 2019, excluindo-se casos de revisões ou de procedimentos extra-articulares simultâneos. Os pacientes que consentiram com a coleta de dados receberam questionários on-line para determinar as medidas de resultados relatados pelo paciente, incluindo o questionário de cinco dimensões EuroQol (EQ-5D) e o 12 (iHOT-12), no pré-operatório e aos seis e doze meses de pós-operatório.
Foram identificados 2025 desbridamentos labrais (55%) e 1.659 reparos labrais (45%). Ambos os grupos viram ganho significativo (p < 0,001) no EQ-5D e iHOT-12 em comparação com os escores pré-operatórios em doze meses (melhora do iHOT-12: reparo labral = +28,7 (intervalo de confiança de 95% (IC) 26,4 a 30,9), desbridamento labral = +24,7 (IC 95% 22,5 a 27,0)), porém não houve diferença significativa entre os procedimentos após modelagem multivariável. No geral, 66% dos casos atingiram a diferença mínima clinicamente importante (MCID) e 48% alcançaram benefício clínico substancial em doze meses.
Conclusão
O estudo acabou não demonstrando diferença significativa entre os tratamentos no modelo multivariável, apesar do reparo labral ser superior na análise univariável. É importante frisar que o follow-up foi de doze meses e seria importante uma avaliação por um período maior a fim de visualizar a evolução para osteoartrose ou não. Além disso, ensaios clínicos randomizados seriam importantes para redução de risco de viés.
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