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Ortopedia5 agosto 2022

Qual o melhor tratamento para tumor de células gigantes de rádio distal?

O rádio distal é a terceira localização mais comum desse tumor, com os pacientes referindo dor, edema e redução de arco de movimento do punho.

O tumor de células gigantes (TCG) é raro e localmente agressivo afetando primariamente região metaepifisária de ossos longos após maturidade esquelética. O rádio distal é a terceira localização mais comum desse tumor, com os pacientes referindo dor, edema e redução de arco de movimento do punho. Metástases pulmonares podem ocorrer em 3% dos casos de TCG e a localização no radio distal está mais associada a essa complicação.

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Historicamente, o tratamento dessa patologia se dá com ressecção do tumor e reconstrução podendo ser associada à artroplastia ou artrodese. O transplante de fíbula vascularizado pode ser necessário para a reconstrução, tornando-a mais tecnicamente desafiadora. A cirurgia intralesional com preservação da articulação pode ser realizada em pacientes jovens e ativos em alguns casos selecionados, porém há maior chance de recorrência.

Qual o melhor tratamento para tumor de células gigantes de rádio distal

O estudo

Desde a introdução do denosumab, o tratamento passou de puramente cirúrgico para multidisciplinar. Até o momento, permanece desconhecido qual a melhor combinação de tratamento para o TCG de rádio distal avançado. Foi publicado no último mês na revista “Bone and Joint Open” um estudo retrospectivo e multicêntrico com o objetivo de avaliar resultados oncológicos, cirúrgicos e funcionais para TCG com diferentes acessos e reconstruções cirúrgicas e diferentes esquemas de administração de denosumab.

Foram selecionados 76 pacientes tratados com TCG de radio distal entre 1990 e 2019 de 3 diferentes hospitais holandeses e avaliados dados de prontuários como idade, sexo, diagnóstico histológico, características do tumor (extensão para partes moles, fratura patológica), tratamento cirúrgico (adjuvantes locais, técnica de reconstrução) e terapia sistêmica (doses, durações, efeitos colaterais e complicações).

O follow-up médio foi de 8,8 anos (2 a 23), sendo sete pacientes submetidos a curetagem, 38 a curetagem com adjuvantes e 31 a ressecções. Apenas 20 receberam denosumab. A taxa de recorrência foi de 71% (5/7) após curetagem, 32% (12/38) após curetagem com adjuvantes, e 6% (2/31) após a ressecção. O tempo médio de recorrência foi de 17 meses (4 a 77). Recorrências foram tratadas com curetagem com adjuvantes (onze), ressecção (seis) ou curetagem (dois). No geral, 84% (38/45) foram curados após um a três procedimentos intralesionais.

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Sete pacientes receberam 12 meses de denosumab neoadjuvante (5 a 15) e seis meses de denosumab adjuvante com duas recorrências (29%). Doze pacientes receberam seis meses de denosumab neoadjuvante (4 a 10) com cinco recorrências (42%). Dois apresentaram metástases pulmonares (2,6%), ficando ambas estáveis após denosumab.

A taxa de complicação foi de 18% (14/76, com 11 necessitando de cirurgia). No follow-up estudado, a média do Musculo-Skeletal Tumor Society score foi 28 (18 a 30), enquanto a do Short Form-36 foi 86 (41 a 95), e o DASH 7,8 (0 a 58).

Conclusão

O tratamento do TCG de rádio distal pode ser diferente do tratamento geral dos TCG devido à complexidade da anatomia e função do punho. A cirurgia intralesional resultou em uma maior taxa de recorrência mesmo com denosumab adicional. A grande maioria dos pacientes, no entanto, foram curados após curetagem repetida.

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Referências bibliográficas

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