Tempo de leitura: [rt_reading_time] minutos.
Já sabemos que o advento de inúmeros quimioterápicos, imunobiológicos e novas técnicas de radioterapia contribui para o aumento da sobrevida associada ao câncer. Com a maior expectativa de vida, a atenção para os efeitos a longo prazo das medicações se tornou de importância fundamental no manejo clínicos dos pacientes.
Confira abaixo as informações disponibilizadas pela diretriz da American Society of Clinical Oncology (ASCO) sobre prevenção e monitorização da cardiotoxicidade nos pacientes com câncer nas especialidades de oncologia e hematologia.
Quais pacientes com câncer estão sob risco aumentado de desenvolver disfunção cardíaca?
Tratamento que inclui:
- Altas doses de antraciclina
- Altas doses de radioterapia onde o coração está no campo de tratamento
- Baixas doses de antraciclina + baixas doses de radioterapia onde o coração está no campo de tratamento
- Baixas doses de antraciclina ou transtuzumab, e a presença de qualquer fator de risco: idade maior ou igual a 60 anos, comprometimento cardiovascular (FEVE < 55%, história de IAM, valvopatia com disfunção moderada) ou risco cardiovascular (2 ou mais dos seguintes: tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmia, obesidade)
- Baixas doses de antraciclina + transtuzumab
Quais estratégias minimizam os riscos antes do início das terapias?
- Evitar uso de droga cardiotóxica, se não comprometer o desfecho onco-hematológico do paciente
- História clínica e exame físico direcionado ao sistema cardiovascular
- Ecocardiograma pré-quimioterapia, se forem utilizadas terapias que possam causar dano ao coração
Quais estratégias preventivas são efetivas em minimizar riscos durante administração de potenciais drogas cardiotóxicas na terapia do câncer?
- Fatores de riscos: busca ativa de fatores de risco cardiovasculares modificáveis durante o tratamento oncológico
- Dexrazoxane: medicamento cardioprotetor que pode ser utilizado em pacientes que receberão altas doses de antraciclinas
- Doxorrubicina lipossomal: alternativa do quimioterápico da classe das antraciclinas com formulação menos cardiotóxica
- Radioterapia: técnicas e dosagens específicas para minimizar os danos cardiovasculares
Em um estudo brasileiro publicado na revista JACC, o carvedilol não foi capaz de prevenir a ocorrência de insuficiência cardíaca em pacientes oncológicos de alto risco. Por outro lado, se houver disfunção sistólica do VE, a orientação atual é iniciar o mesmo tratamento da ICFER por outras causas.
Como fazer a vigilância e monitorização durante o tratamento?
- Assintomáticos: ecocardiograma nos pacientes com alto risco cardiovascular
- Sintomáticos: ecocardiograma. Na indisponibilidade, RNM cardíaca. Podemos utilizar biomarcadores séricos cardíacos (troponinas, peptídeos natriuréticos) em conjunto e encaminhar ao cardiologista
Em caso de alteração cardíaca, a continuação da terapia deve ser discutida com o médico assistente.
Importante. A avaliação do ecocardiograma com avaliação do estudo da mecânica cardíaca (STRAIN) é uma ferramenta importante para acompanhamento e diagnóstico de disfunção cardíaca já utilizada na monitorização do paciente oncológico. O strain é capaz de mostrar disfunção sistólica do VE em fases mais precoces do que os métodos tradicionais que medem a fração de ejeção.
Como fazer a vigilância e monitorização depois o tratamento?
- Sintomáticos: ecocardiograma. Na indisponibilidade, RNM cardíaca. Podemos utilizar biomarcadores séricos cardíacos (troponinas, peptídeos natriuréticos) em conjunto e encaminhar ao cardiologista
- Assintomático: ecocardiograma em pacientes de alto risco 6-12 meses após término da terapia oncológica.
- Vigilância dos fatores de risco associados ao sistema cardiovascular
Para pacientes sem risco cardiovascular, ainda não há consenso sobre a monitorização após terapia cardiotóxica.
Leia mais: Candesartan diminui cardiotoxicidade por quimioterápicos
Por fim, vale refletir sobre o grande número de novas terapias que surgem para o tratamento das mais diversas morbidades oncológicas e, ao mesmo tempo, quais tipos de danos vamos ter que lidar com os pacientes que administraremos tais medicações.
É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!
Referências:
- Armenian, S. H., Lacchetti, C., Barac, A., Carver, J., Constine, L. S., Denduluri, N., Lenihan, D. (2017). Prevention and Monitoring of Cardiac Dysfunction in Survivors of Adult Cancers: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Oncology, 35(8), 893–911. doi:10.1200/jco.2016.70.5400
- Mônica Samuel Avila, Silvia Moreira Ayub-Ferreira, Mauro Rogerio de Barros Wanderley et al. Carvedilol for Prevention of Chemotherapy-Related Cardiotoxicity. Journal of the American College of Cardiology (JACC) May 2018, 71 (20) 2281-2290; DOI: 10.1016/j.jacc.2018.02.049
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.