A EAU (Associação Europeia de Urologia) divulgou neste primeiro semestre de 2026 a nova diretriz sobre manejo do câncer de testículo, doença rara, porém que apresenta altas taxas de cura quando rapidamente diagnosticada e tratada.

Quais foram as principais mudanças?
Diagnóstico e exames de imagem
Recomenda-se atualmente o diagnóstico rápido e efetivo. A suspeita para CA de testículo deve ser levantada a partir do exame físico, com a palpação bimanual cuidadosa dos dois testículos.
Pode ser notado um testículo pétreo, endurecido, aumentado de tamanho. Após a suspeita, recomenda-se lançar mão de exames de imagem. USG de bolsa escrotal deve ser realizada em todos os pacientes com massa testicular, apresentando sensibilidade próxima a 100%.
A coleta de marcadores tumorais continua sendo recomendada, antes e após a cirurgia, destacando-se: AFP (alfa-fetoproteína), hCG (gonadotrofina coriônica humana) e LDH (desidrogenase lática). A recomendação para avaliação de metástase continua, assim como no CA de pênis, Tomografia Computadorizada de tórax, abdome e pelve. RM cerebral é recomendada apenas se houverem sintomas ou em pacientes de alto risco (ex: coriocarcinoma).
Biópsia como melhor conduta inicial?
A conduta frente ao tumor testicular continua sendo a orquiectomia radical por via inguinal. Em 2026 a EAU recomenda a biópsia do testículo contralateral se houver suspeita de neoplasia de células germinativas in situ, ou se o testículo contralateral foi atrófico (definido com volume inferior a 12 mL).
Tratamento: como conduzir e o que é primeira linha a partir de agora
Convém relembrar que após a orquiectomia, não há contraindicação para o uso de prótese testicular, ademais a EAU recomenda que seja oferecido para o paciente tal possibilidade.
A continuidade do tratamento dependerá do tipo histológico encontrado. Para tumores seminomatosos estadio 1, a vigilância segue sendo opção preferencial, com dose única de Carboplatina como quimioterapia adjuvante (se houver fatores de risco como tumor > cm ou invasão da rede testis).
Radioterapia não é mais recomendada como primeira linha. Tumores não seminomatosos estadio 1 tem como opção a vigilância se o paciente for colaborativo e não houver invasão linfovascular. Quimioterapia adjuvante com um ciclo de BEP (Bleomicina, Etoposídeo e Cisplatina) se houver invasão linfovascular. Se quimioterapia for contraindicada, a opção é linfadenectomia retroperitoneal (RPLND).
Em casos de doença metastática estádios 2 e 3, o tratamento divide os pacientes em grupos de prognóstico bom, intermediário e mau. Para pacientes de bom prognóstico, recomenda-se 3 ciclos de BEP ou 4 ciclos de EP. Já para pacientes que se encaixam no grupo de prognóstico intermediário ou mau, recomenda-se 4 ciclos de BEP.
Se existirem massas residuais após quimioterapia, a conduta dependerá do tipo. Se seminomatoso, massas inferiores a 3 cm serão acompanhadas, enquanto massas superiores a 3 cm recomenda-se realiação de PET-CT para melhor avaliação. No caso de não seminomatosos, qualquer massa residual superior a 1 cm deve ser retirada.
O seguimento deve durar entre 5-10 anos dependendo do grupo de pacientes. Antes do início do tratamento, recomenda-se discutir sobre saúde sexual e reprodutiva com todos os pacientes, além de informar sobre os riscos de hipogonadismo e efeitos da redução dos níveis de testosterona.
Mensagem final
O CA de testículo, mesmo sendo uma doença rara, tem altas taxas de cura quando rapidamente diagnosticado e tratado. Para isso, é necessário cirurgia, além de quimioterapia para a maioria dos casos. Não subestimar o exame físico é essencial para a boa prática médica. Se houver dúvida, a avaliação de um urologista é fundamental.
Autoria

Caio Henrique da Silva Teixeira
Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense - 2022. Cirurgião Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar 2023-2026. Residente de Urologia - Hospital Federal do Andarai.
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