Foi lançado recentemente no Portal da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) as novas diretrizes para avaliação inicial, diagnóstico e condutas referentes ao câncer de bexiga no Brasil. O documento reúne recomendações, agrupadas em diferentes níveis de evidências, que objetivam guiar o especialista no manejo de tal patologias. Abaixo estão reunidas as principais recomendações da SBU.

Relembrando conduta inicial
Ao iniciar a avaliação de um paciente com possível câncer de bexiga, é recomendado além de anamnese e exame físico, realizar cistoscopia e exames de imagem (USG, TC ou RNM). É importante orientar o paciente quanto à cessação do tabagismo e considerar avaliação clínica em casos suspeitos (exemplo síndrome de Lynch).
Ressecção Transuretral de Bexiga (RTUb) deve ser realizada para biópsia e tratamento inicial. Nova RTUb deve ser repetida em 4-6 semanas em casos de ressecções incompletas, tumores de alto volume (>3cm), múltiplas lesões, ausência de camada muscular representada na amostra ou subtipos histológicos agressivos (nível de evidência 1A).
Câncer de bexiga não músculo invasivo
No que tange à estratificação de risco e conduta no CA de bexiga não músculo invasivo, a SBU recomenda para tumores de baixo risco (Ta, único, primário, <3cm, baixo grau) o tratamento com dose única de quimioterapia intravesical, como a gencitabina, até 24h após a RTUb.
Em tumores de risco intermediário (multifocal, >3cm ou recorrência em 1 ano de baixo grau), recomenda-se tratamento com BCG intravesical com manutenção de 1 ano (evidência 1A) ou quimioterapia intravesical (evidência 2A).
Em tumores de alto risco (carcinoma in situ, T1, alto grau, multifocal, >3cm) recomenda-se BCG intravesical com manutenção de 3 anos (evidência 1A) ou cistectomia radical se critérios de risco muito alto.
Câncer de bexiga músculo invasivo
Quanto ao CA de bexiga músculo invasivo, a conduta dependerá do estágio da doença. Se estágio II ou IIIa, e o paciente for elegível à cisplatina, o tratamento preferencial é perioperatório com Gencitabina+Cisplatina+Durvalumabe, associado à cistectomia radical (evidência 1A).
Se paciente inelegível à Cisplatina, o esquema preferencial é Pembrolizumabe+Enfortumabe associado a cistectomia radical (evidência 1A). Se paciente estágio IIIb e IVa o tatamento sistêmico preferencial é Pembrolizumabe+Enfortumabe ou Cis/Carboplatina+Gencitabina seguido de manutenção com Avelumabe (1A).
Doença metastática e exames de imagem
Em caso de doença metastática (estágios IVb-M1b) o tratamento de primeira linha é Enfortumabe vedotina+Pembrolizumabe. Para inelegíveis a cisplatina, recomenda-se Carboplatina+Gencitabina ou imunoterapia isolada. Há outras opções como segunda linha.
Quanto à imagem para diagnóstico e estadiamento, a Uro-TC é preferencial para avaliar trato genitourinário alto. A ressonância magnética é recomendada utilizando o protocolo VIRADS, sendo superior à TC para diferenciar estágios T1 e T2, devendo ser realizada antes da RTUb. O PET/CT com FDG não é rotineiro, sendo útil em dúvidas de metástases.
Para levar para casa
Recomenda-se a todos os médicos, especialistas ou não, a obrigação de considerar câncer de bexiga em pacientes acima de 60 anos, tabagistas com queixa de hematúria isolada. Cabe lembrar que é um câncer de alta morbidade e que o diagnóstico precoce é fundamental.
Autoria

Caio Henrique da Silva Teixeira
Conteudista médico na afya. Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar (2025), atualmente em residência de Urologia pelo Hospital Federal do Andarai.
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