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Oncologia1 junho 2026

Imunoterapia reduz risco de segundo melanoma após tratamento?

Análise do Keynote-716 avalia risco de novos tumores de pele após pembrolizumabe adjuvante no melanoma.
Por Thiago Branco

Pacientes com melanoma cutâneo sabidamente apresentam risco aumentado de desenvolver neoplasias cutâneas secundárias, incluindo novos melanomas, carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma espinocelular (CEC). Apesar disso, a partir do uso da imunoterapia adjuvante para o melanoma cutâneo, o impacto do uso dos inibidores de checkpoint sobre o surgimento de novos tumores de pele tornou-se incerto 

Recentemente foi publicada na Journal of American Medicina uma análise pós hoc do estudo Keynote-716, ensaio clínico responsável por validar o uso de pembrolizumabe após ressecção cirúrgica nos melanomas estadio 2b e 2c, com intuito de discutir este tema.  

imunoterapia e risco de melanoma

Metodologia 

Post hoc significa uma análise secundária, retrospectiva e não inicialmente planejada de um estudo. Deste modo, ocorreu uma avaliação dos dados do estudo Keynote-716 que foi responsável por validar o uso de pembrolizumabe adjuvante por 1 ano na prática clínica.  

O estudo envolveu 976 pacientes maiores de 12 anos com melanoma cutâneo estágio 2b ou 2c sem acometimento linfonodal em uma randomização 1:1, com um seguimento mediano de 52 meses. Neste post hoccalculou-se a incidência e tempo até diagnóstico de novo tumor de pele, não dimensionada para testar diferenças formais entre subgrupos. 

Principais resultados 

A incidência de qualquer câncer cutâneo novo foi de 7,6% no grupo pembrolizumabe e 11,5% no placebo, uma diferença absoluta de 3,6%. Destes, 2,5% foram melanomas invasivos no grupo pembrolizumabe x 1,8% controle. Trata-se de um dado similar entre os grupos e uma frequência discretamente maior de tumores não melanoma no grupo placebo. 

Discussão para pensar 

Pode não proteger, mas não aumenta o risco: Considerando que a definição de recidiva cutânea foi tratada como um evento, a similaridade da incidência de novo melanoma entre os grupos mitiga a ideia de um maior risco de novos tumores com o uso da imunoterapia, dado o racional de que o pembrolizumabe poderia promover uma quiescência tumoral em detrimento de uma erradicação. Ao mesmo tempo, a não redução de risco reforça a importância do seguimento clínico de longo prazo, a despeito dos novos tratamentos disponíveis. 

Tempo curto: Se considerarmos que a população do estudo é relativamente jovem (mediana de idade 61 anos), o tempo de seguimento para identificação de novos tumores (52 meses) é curto, considerando que a doença possui espectro de faixa etária bastante da expectativa de vida alcançada.  

Post hoc: Qualquer análise não inicialmente planejada carece de força estatística, tratando-se de avaliação retrospectiva, sem validação histopatológica dos tumores de forma central e sem desenho que valide comparação. A força do estudo reside na falta de outras evidências, mais robustas, que possam demonstrar o contrário. 

O que levar para a prática clínica? 

Imunoterapia adjuvante não reduziu ou elevou o índice de novos tumores primários de pele, especialmente melanomas. Ressalta-se, portanto, a importância do seguimento dermatológico prolongado para os pacientes em remissão a despeito das novas terapias. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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