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Oncologia26 março 2026

Guideline ASCO 2026: uso de fatores estimuladores de colônia na Oncologia

Atualização da ASCO reforça uso de G-CSF na profilaxia da neutropenia febril e orienta individualização conforme risco e contexto clínico
Por Thiago Branco

A neutropenia permanece entre as principais toxicidades dos tratamentos oncológicos convencionais, em especial da quimioterapia. Com o objetivo de mitigar principalmente suas complicações, como a neutropenia febril, fatores estimuladores de colônia hematopoética (G-CSFs) são usados com o objetivo de reduzir duração e gravidade do quadro.  

Desde a publicação das primeiras recomendações da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 1994, o uso desses agentes vem sendo periodicamente reavaliado à luz de novas evidências. Recentemente, foi divulgada uma nova revisão. Dentre os destaques, há a introdução de novos agentes, biossimilares e atualização das indicações de profilaxia. 

Vamos aos dados! 

Métodos 

O guideline foi desenvolvido a partir de uma revisão da literatura sobre o tema publicada entre 2014 e 2025, conduzida por um painel multidisciplinar de especialistas convocado pela ASCO. Foram pesquisadas as bases PubMed e Cochrane Library para identificar ensaios clínicos randomizados (RCTs), revisões sistemáticas e meta-análises.  

Os estudos elegíveis incluíram adultos com tumores sólidos ou neoplasias hematológicas submetidos a terapia antineoplásica sistêmica. Os principais desfechos avaliados incluíram eventos relacionados à neutropenia, eventos adversos e mobilização de células-tronco.  

De 414 publicações triadas, 49 estudos preencheram os critérios de inclusão, compreendendo 33 ensaios clínicos randomizados e 16 revisões sistemáticas, que constituíram a base de evidência das recomendações atualizadas.  

Principais Pontos 

Profilaxia primária de neutropenia febril 

O guideline recomenda profilaxia primária com G-CSF quando o risco de neutropenia induzida pelo regime quimioterápico é ≥20%, desde que não exista alternativa terapêutica com eficácia semelhante e menor risco hematológico. Em regimes com risco <20%, o uso profilático pode ser considerado em pacientes com alto risco de complicaçõesO julgamento de fatores que caracterizem alto risco ainda se mostrou controverso, com ausência de algoritmos específicos validados. O grupo recomenda a avaliação de fatores individuais como idade avançada, comorbidades, neutropenia prévia ou mielopatia de base.  

profilaxia antibiótica pode ser considerada como alternativa na indisponibilidade de G-CSFs; Contudo, essa estratégia é menos desejável devido ao risco de resistência antimicrobiana. 

Profilaxia secundária 

A profilaxia secundária com CSF é recomendada em pacientes que apresentaram neutropenia em ciclo prévio de tratamento e nos quais redução de dose ou atraso do tratamento poderia comprometer a eficácia da propedêutica. Em cenários onde a manutenção da intensidade de dose não é essencial, a redução ou atraso da quimioterapia permanece uma possibilidade.  

Tratamento da neutropenia febril 

O uso rotineiro de G-CSF não é recomendado em pacientes com neutropenia afebril. Da mesma forma, em pacientes com neutropenia febril, a administração rotineira de G-CSF associada à antibioticoterapia não é indicada, pois não demonstrou benefício em mortalidade, embora possa reduzir a duração da neutropenia e da hospitalização.  

O uso pode ser considerado em pacientes com alto risco de evolução clínica desfavorável. Neste caso, cita-se como situações de risco sepse, neutropenia profunda e hospitalização no momento do diagnóstico da febre.  

Escolha do agente e administração 

Filgrastim, pegfilgrastim e eflapegrastim apresentam eficácia e segurança comparáveis, sendo a escolha baseada em fatores como custo, conveniência e disponibilidade e contexto do sistema de saúde.  

Em geral, os G-CSF devem ser iniciados 24–72 horas após a quimioterapia. O guideline não cita tempo de tratamento ideal. Porém, afirma que regimes mais curtos ou doses reduzidas podem ser considerados sem comprometer a eficácia. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.

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