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Oncologia11 fevereiro 2026

Estimativa do câncer no Brasil: o que o oncologista precisa saber

INCA projeta 518 mil novos casos de câncer no Brasil entre 2026 e 2028, com aumento de tumores de mama, pulmão e colorretal.
Por Thiago Branco

Foram publicadas as previsões de incidência do câncer no Brasil para o próximo triênio, estudo estatístico tradicionalmente realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com a previsão de 518 mil novos casos de câncer no Brasil entre 2026 e 2028, excluindo-se pele não melanoma, foram identificados novos padrões de aumento e muitas diferenças entre as diferentes regiões. 

Vamos aos dados! 

Como a estimativa é feita 

São contabilizados os registros de câncer de base populacional (RCBP), os registros hospitalares de câncer (RHC) e dados de mortalidade obtidos através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A partir destas informações, calculam-se estimativas de incidência levando-se em consideração a estimativa da população total, que por sua vez é obtida a partir dos principais Censos Demográficos. São separados os CIDs conhecidamente mais prevalentes e a população total é estratificada pelo sexo e região. 

Principais destaques do novo triênio 

Mama e próstata continuam os tumores mais incidentes: Seguindo padrão mundial e histórico nacional, as neoplasias de mama e pulmão continuam correspondendo aos tumores mais prevalentes. Juntas, representam 30% do total de casos (cerca de 15% cada uma), sendo 160.000 indivíduos acometidos no próximo triênio. 

Aumento dos casos de tumores de pulmão, especialmente nas regiões Sul e Sudeste: Os tumores de pulmão tornaram-se o terceiro mais incidente em mulheres nas regiões sul, ultrapassando os tumores de colo uterino. Nos homens, seguem sendo os terceiros tumores mais prevalentes em todas as regiões. 

Aumento geral da incidência de tumores colorretais: Os tumores colorretais continuam na segunda posição em incidência em ambos os sexos, representando cerca de 20% do total de novos casos. Nota-se aumento da incidência em relação aos triênios anteriores em todas as regiões, ultrapassando 20 casos por 100.000 habitantes. 

Tumores de colo uterino mantêm alta, principalmente nas regiões Norte e Nordeste: A neoplasia de colo uterino supera os números dos tumores de mama nas mulheres no Amapá, estado com aumento expressivo de imigração venezuelana nos últimos anos. Nos demais estados das regiões citadas, segue o segundo em prevalência. Há contraste com as demais regiões, a qual ocupa a terceira posição, atrás dos tumores de cólon. 

Saiba mais: Estudo estima que mortes por câncer devem crescer em 75% até 2050

O que levar para a prática clínica 

O Brasil passa por um processo de transição demográfica no acesso aos serviços de saúde e estilo de vida. Enquanto as regiões Norte e Nordeste enfrentam padrões de incidência fortemente influenciados por fatores infecciosos e dificuldades de acesso à prevenção primária, Sul, Sudeste e Centro Oeste começam a apresentar tendência de aumento de tumores relacionados ao envelhecimento e fatores de risco adquiridos, especialmente alimentação inadequada e tabagismo. É importante a compreensão da necessidade de personalização das políticas públicas conforme região, reconhecendo o momento demográfico local para definir projetos, verbas e recursos humanos. Prevemos um triênio de novos desafios à atenção básica somados aos antigos, especialmente as novas formas de tabagismo com os cigarros eletrônicos e o aumento do consumo de ultraprocessados. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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