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Oncologia2 junho 2026

ASCO 2026: Último dia do congresso com enfoque em tumores de mama metastáticos

ASCO 2026 destaca gedatolisibe no câncer de mama HR+/HER2− com mutação PIK3CA após CDK4/6.
Por Thiago Branco

Apresentações do último dia trazem nova opção para as neoplasias de perfil hormonal 

Este ano, a ASCO encerrou oficialmente as sessões de apresentação oral com um dos temas mais prevalentes da prática oncológica, o câncer de mama metastático. Dentre os principais destaques, o estudo VIKTORIA-1 trouxe informações interessantes sobre formas de tratamento novas na segunda linha hormonal. 

Confira os dados! 

asco 2026

VIKTORIA-1: gedatolisibe associado a fulvestranto com ou sem palbociclibe versus alpelisibe + fulvestranto em câncer de mama avançado HR+/HER2− com mutação em PIK3CA 

O estudo fase III VIKTORIA-1 foi o último abstract apresentado no congresso deste ano. Nele, foi avaliado o papel do gedatolisibe, um potente inibidor intravenoso da via PI3K/AKT/mTOR que atua sobre todas as isoformas de PI3K classe I, mTORC1 e mTORC2, em pacientes com câncer de mama avançado RH+/HER2− portadores de mutação em PIK3CA que apresentaram progressão durante ou após tratamento com inibidor de CDK4/6 associado a inibidor da aromatase.  

Foram incluídos pacientes com doença mensurável segundo RECIST, sem quimioterapia prévia para doença avançada, sem exposição anterior a inibidores da via PI3K/AKT/mTOR e com hemoglobina glicada inferior a 6,5%. 362 participantes foram randomizados na proporção 3:3:1 para receber gedatolisibe, palbociclibe e fulvestranto; alpelisibe associado a fulvestranto; ou gedatolisibe associado a fulvestranto. O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão (SLP) comparando o esquema triplo contendo gedatolisibe com alpelisibe mais fulvestranto. Entre os desfechos secundários estavam SLP do esquema duplo com gedatolisibe, sobrevida global, taxa de resposta objetiva, duração de resposta, benefício clínico, qualidade de vida e segurança.  

Com um seguimento mediano para SLP de 11 meses, o estudo atingiu seu objetivo primário. A mediana de SLP foi de 11,1 meses com gedatolisibe, palbociclibe e fulvestranto, em comparação com 5,6 meses para alpelisibe e fulvestranto, correspondendo a uma redução de 50% no risco de progressão ou morte (HR 0,50; IC95% 0,37–0,68; p<0,0001).   

Além disso, o braço de gedatolisibe associado apenas a fulvestranto também demonstrou benefício expressivo, com mediana de SLP de 11,3 meses versus 5,6 meses para alpelisibe e fulvestranto (HR 0,51; IC95% 0,33–0,79; p<0,0013), sugerindo atividade similar mesmo sem a manutenção do bloqueio por CDK4/6. Também foram observadas melhorias em outros desfechos secundários, incluindo taxa de resposta objetiva e duração de resposta. 

O perfil de segurança revelou diferenças importantes entre os tratamentos. A descontinuação da terapia atribuída a eventos adversos relacionados ao tratamento ocorreu em apenas 2,6% dos pacientes tratados com o esquema triplo contendo gedatolisibe e em 3,8% daqueles que receberam gedatolisibe mais fulvestranto, comparado a 7,1% no braço controle com alpelisibe.  

Um dos achados mais relevantes foi a menor incidência de hiperglicemia associada ao gedatolisibe, evento adverso comumente associado aos inibidores da via PI3K. Eventos de qualquer grau ocorreram em 15,0% dos pacientes do braço triplo e em 11,5% do braço duplo, contra 57,9% no grupo tratado com alpelisibe. A incidência de hiperglicemia grau 3 foi de 2,6%, 0% e 13,8%, respectivamente. Por outro lado, estomatite foi mais frequente com os esquemas contendo gedatolisibe, ocorrendo em aproximadamente 61% dos pacientes.  

Comentários 

Gedatolisibe associada a fulvestranto mostra-se uma opção clinicamente eficaz na segunda linha dos tumores mamários luminais endócrino-sensíveis. Houve melhora significativa de sobrevida em relação ao que é atualmente o tratamento padrão. Embora haja as implicações relacionadas à aplicação venosa, a via de administração possivelmente explica em partes as vantagens vistas em menores eventos adversos, especialmente gastrointestinais. Além disso, o benefício parece ser ICDK independente. 

Vamos aguardar as avaliações regulatórias e a maturação dos dados de sobrevida global para considerar a aplicação à prática clínica. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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