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Oncologia31 maio 2026

ASCO 2026: Novos dados para o carcinoma de células escamosas de pulmão

Estudo chinês mostra pela primeira vez comparação head to head entre diferentes imunoterapias no CEC de pulmão avançado
Por Thiago Branco

HARMONi-6: Ivonescimabe associado à quimioterapia versus tislelizumabe associado à quimioterapia no tratamento de primeira linha do CPNPC escamoso avançado 

O ivonescimabe é um anticorpo biespecífico capaz de bloquear simultaneamente PD-1 e VEGF, representando uma estratégia terapêutica inovadora para potencializar a atividade antitumoral. O estudo HARMONi-6 foi desenvolvido para avaliar se essa abordagem poderia melhorar os resultados clínicos em pacientes com CPNPC escamoso avançado não tratado previamente.  

Trata-se de um estudo fase III, multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado, que incluiu 532 pacientes com CPNPC escamoso estádio IIIB/C ou IV, ECOG Performance Status 0–1 e sem tratamento sistêmico prévio. Os participantes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber ivonescimabe (20 mg/kg a cada três semanas) associado a carboplatina e paclitaxel, seguido de manutenção com ivonescimabe, ou tislelizumabe (200 mg a cada três semanas) associado ao mesmo esquema quimioterápico, seguido de manutenção com tislelizumabe. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP), enquanto a SG constituiu um dos principais desfechos secundários.  

As características basais mostraram adequada distribuição entre os grupos. 75% dos pacientes apresentavam doença estádio IV e cerca de 80% tinham histórico de tabagismo atual ou prévio. Aproximadamente, 42% dos pacientes apresentavam expressão de PD-L1 entre 1% e 49%, enquanto cerca de 20% possuíam expressão ≥50%. Pacientes com invasão de grandes vasos, tumor com cavitação significativa ou hemoptise significativa foram excluídos. 

Na análise interina de SG, realizada após 204 eventos com mediana de acompanhamento de 21,3 meses, o tratamento com ivonescimabe associado à quimioterapia demonstrou superioridade estatisticamente significativa. A mediana de SG foi de 27,9 meses no braço experimental versus 23,8 meses no braço controle. O risco de morte foi reduzido em 34%, correspondendo a um hazard ratio de 0,66 (IC95% 0,50–0,87; p=0,0017). As taxas de sobrevida em 24 meses foram de 64,7% no grupo ivonescimabe e 48,6% no grupo tislelizumabe. A análise de subgrupos demonstrou benefício consistente de SG em praticamente todas as populações avaliadas, independente da expressão de PD-L1. 

O uso de terapias subsequentes foi semelhante entre os grupos, reduzindo a possibilidade de viés relacionado aos tratamentos recebidos após progressão. Aproximadamente 36% dos pacientes em ambos os braços receberam tratamento sistêmico adicional.  

Em relação à segurança, eventos adversos relacionados ao tratamento ocorreram em mais de 99% dos pacientes em ambos os grupos. Eventos grau ≥3 foram observados em 69,2% dos pacientes tratados com ivonescimabe e em 58,9% daqueles tratados com tislelizumabe. As taxas de eventos adversos graves foram de 41,4% e 34,3%, respectivamente. A descontinuação do tratamento por toxicidade ocorreu em 5,3% e 4,5%, enquanto os óbitos relacionados ao tratamento ocorreram em 3,8% e 4,2% dos pacientes, respectivamente.  

Eventos potencialmente relacionados à inibição de VEGF foram mais frequentes no braço ivonescimabe, particularmente proteinúria (42,5% versus 12,8%) e hipertensão arterial (14,7% versus 4,9%), embora a maioria tenha sido de baixo grau.  

Veja também: ASCO 2026: Aplicações clínica da Inteligência artificial na Oncologia

Comentários 

HARMONI-6 traz dados inéditos de comparação entre diferentes estratégias de imunoterapia, com benefícios estatisticamente significativos em sobrevida favorecendo a combinação com efeito antiangiogênico. Porém, algumas decisões em relação aos critérios de inclusão dificultam considerar uma opção padrão. A exclusão de pacientes com determinadas particularidades tumorais e a taxa significativa de eventos adversos em uma doença cuja população é comumente idosa questionam a aplicabilidade prática apesar do benefício definido. 

Vamos aguardar maturidade dos dados de seguimento, ainda com 21 meses, e o estudo internacional que está sendo feito em concomitância com o mesmo desenho, avaliando outras populações. 

Autoria

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Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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