Logotipo Afya
Anúncio
Oncologia30 maio 2026

ASCO 2026: Neoadjuvância em câncer de mama

Estudos KEYNOTE-522 e Neo-Healer avaliam estratégias neoadjuvantes em câncer de mama triplo-negativo e HER2 positivo.
Por Thiago Branco

Seguindo a cobertura sobre oncologia mamária, duas estratégias de tratamento neoadjuvante chamaram atenção no segundo dia de ASCO.

KEYNOTE-522: análise final avalia pembrolizumabe em câncer de mama triplo-negativo inicial

O estudo KEYNOTE-522 é conhecido por ter randomizado 1.174 pacientes para receber quimioterapia neoadjuvante associada a pembrolizumabe ou placebo, seguida por cirurgia e continuação do tratamento imunoterápico no cenário adjuvante. Os desfechos principais incluíram resposta patológica completa (pCR), sobrevida livre de eventos (EFS) e sobrevida global (OS).

Na ASCO 2026, foi apresentada a análise final do estudo. Com seguimento mediano próximo de 94 meses, a sobrevida livre de eventos em sete anos foi de 78,3% no grupo tratado com pembrolizumabe, contra 69,0% no grupo controle, correspondendo a hazard ratio de 0,66.

A taxa de sobrevida global em aproximadamente oito anos foi de 85,7% no grupo pembrolizumabe versus 77,2% no grupo placebo, também com hazard ratio de 0,66. Segundo os dados apresentados, isso correspondeu a uma redução aproximada de 34% no risco de morte e a um número necessário para tratar (NNT) estimado em cerca de 12 a 13 pacientes para prevenir um evento em sete anos.

Os resultados reforçam o papel da associação de pembrolizumabe à quimioterapia em pacientes com câncer de mama triplo-negativo inicial de alto risco. O estudo também mantém a resposta patológica completa como um desfecho relevante nessa população, embora os eventos adversos imunes devam continuar sendo considerados na avaliação individual das pacientes.

Saiba mais: Terapia neoadjuvante no câncer de mama triplo-negativo

Neo-Healer: estudo avalia anbentitamabe em câncer de mama HER2 positivo

O estudo Neo-Healer foi um ensaio chinês de fase III, multicêntrico, aberto e randomizado, que avaliou uma nova estratégia de bloqueio anti-HER2 baseada no anbentitamabe (KN026), um anticorpo biespecífico direcionado contra HER2.

A estratégia experimental combinou anbentitamabe ao HB1801, uma formulação de docetaxel ligado à albumina, com ou sem carboplatina, para tratamento neoadjuvante do câncer de mama HER2 positivo.

Foram randomizadas 521 pacientes com doença HER2 positiva em estágios iniciais ou localmente avançados para receber anbentitamabe + HB1801 ± carboplatina ou o regime padrão contendo trastuzumabe, pertuzumabe, docetaxel e carboplatina. O desfecho primário foi resposta patológica completa total (tpCR).

A resposta patológica completa foi alcançada por 62,4% das pacientes tratadas com anbentitamabe + HB1801 ± carboplatina, contra 51,2% das pacientes tratadas com o regime padrão, representando diferença absoluta de 11,4% (p=0,0036). O benefício foi descrito como consistente em praticamente todos os subgrupos avaliados, incluindo pacientes que receberam ou não carboplatina.

O perfil de segurança foi considerado manejável e comparável ao tratamento padrão. Eventos adversos grau ≥3 ocorreram em aproximadamente 29% das pacientes em ambos os grupos, sem registro de mortes relacionadas ao tratamento.

Como interpretar os dados apresentados

O Neo-Healer traz uma possibilidade promissora ao elevar a taxa de resposta patológica completa em uma doença na qual esse achado é considerado desfecho substituto para sobrevida. Além disso, sugere menos eventos adversos do que combinações atualmente em estudo nesse cenário, como trastuzumabe-deruxtecana.

Por outro lado, embora o aumento de tpCR seja biologicamente encorajador, permanece necessário demonstrar que esse ganho se traduz em benefício clínico duradouro. Além disso, o braço experimental incorpora simultaneamente dois componentes novos, o que dificulta a análise individual de benefício. Aguardam-se estudos com outras populações e dados mais maduros de sobrevida para definir o Neo-Healer como possibilidade para a prática padrão.

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Oncologia