Em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estágio III irressecável, o tratamento padrão atual envolve quimiorradioterapia seguida de durvalumabe, nos moldes do estudo PACIFIC, sendo ainda incerto o benefício da consolidação nos pacientes com mutação em EGFR.
Nesse contexto, foi apresentado no Annual Meeting da ASCO (American Society of Clinical Oncology) o estudo LAURA, primeiro a avaliar o uso de terapia alvo após quimiorradioterapia em pacientes com CPNPC estágio III irressecável.
Metodologia
Foram incluídos 216 pacientes com esse diagnóstico, de 17 países, com mutação de EGFR (ex19del ou L858R) e randomizados na proporção 2:1 para tratamento com osimertinibe ou placebo até progressão de doença ou toxicidade limitante, permitindo crossover para os pacientes do grupo placebo quando da ocorrência de progressão. O end point primário foi sobrevida livre de progressão e os end points secundários incluíam sobrevida global, sobrevida livre de progressão em SNC e segurança.
Resultados
Quanto aos resultados, após 12 meses foi observado SLP de 74% no grupo osimertinibe e 22% com placebo. Aos 24 meses, essas taxas eram de 65% e 13%, respectivamente, com benefício mantido nos subgrupos estratificados por sexo, idade, raça, histórico de tabagismo, estágio e mutação EGFR.
A sobrevida livre de progressão mediana foi de 39,1 meses no grupo tratado com osimertinibe e 5,6 meses no grupo placebo (HR 0,16, IC 95% [0,10; 0,24]; P < 0,001.
A taxa de resposta objetiva com osimertinibe foi de 57% em comparação com 33% com placebo e a duração média da resposta com o medicamento foi de 36,9 meses versus 6,5 meses com placebo.
O impacto na progressão de doença em SNC foi também notável, com incidência de 22% no grupo experimental e 68% no grupo placebo, evidenciando a proteção conferida ao SNC pelo osimertinibe.
Os dados quanto à sobrevida global ainda estão imaturos, porém análise interina mostra mediana de 54 meses com osimertinibe e ainda não alcançada no grupo placebo (HR 0,81, IC 95% [0,42; 1,56]; P = 0,530).
Quanto aos efeitos adversos, a pneumonite por radiação foi a mais prevalente em ambos os grupos. Houve relatos de efeitos grau 3 ou mais em 35% dos pacientes tratados com osimertinibe e 12% dos pacientes no braço placebo.
Considerações finais
Esse estudo, que foi ovacionado pelos expectadores presentes na sessão da ASCO 2024, após apresentação dos resultados, mostra o possível caráter incurável dessa doença no estágio estudado na medida em que não define tempo de término de tratamento, podendo acarretar maiores custos e efeitos colaterais.
Os resultados do LAURA trial mostram mais uma vez a possibilidade de um novo padrão de tratamento, individualizado ao perfil tumoral e com maior impacto e benefícios ao paciente.
Confira os destaques do ASCO 2024!
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