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Oftalmologia25 fevereiro 2025

SIMASP 2025: Tratamento intravítreo e implante supracoroidal nas uveítes

O evento abordou as novidades no tratamento das uveítes não infecciosas e do edema macular uveítico

Durante o Simpósio Internacional de Atualizações em Saúde Ocular e Oftalmologia (SIMASP 2025) foi abordado aspectos relacionados as novidades no tratamento das uveítes não infecciosas e do edema macular uveítico. 

O tratamento da uveíte e do edema macular uveítico com injeções repetidas de corticoides intravítreos (triancinolona) apresenta desafios clínicos importantes, incluindo efeitos adversos oftalmológicos, como o aumento da pressão intraocular (PIO) e a indução de catarata, bem como é sabido que a cada nova injeção há o aumento do risco de endoftalmite, hemorragia vítrea e descolamento de retina, complicações graves que podem levar à cegueira.  

A injeção intravítrea de triancinolona tem um efeito anti-inflamatório transitório, geralmente entre 4 e 8 semanas, exigindo reaplicações frequentes, o que aumenta o risco de complicações e diminui a adesão dos pacientes ao tratamento. Com esse cenário, novas opções terapêuticas tornam-se necessárias no manejo clínico desses pacientes.  

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SIMASP

Novidades na via de administração  

O Multicenter Uveitis Steroid Treatment (MUST) Trial foi um ensaio clínico randomizado que comparou a eficácia e segurança do implante intravítreo de acetonido de fluocinolona (0,59 mg – RetisertÒ) com a terapia sistêmica baseada em corticosteroides e imunossupressores no tratamento de uveítes não infecciosas intermediárias, posteriores e panuveíte. Os pacientes do grupo tratado com implante de fluocinolona tiveram um risco significativamente maior de desenvolver catarata do que o grupo em terapia sistêmica (com 87.8% vs. 19.8% dos pacientes desenvolvendo catarata). 

 A análise do oftalmologista em quais pacientes se beneficiaram do tratamento com o implante intravítreo é fundamental, uma vez que essas medicações reduzem a necessidade de múltiplas injeções e proporcionam um controle mais estável da inflamação, melhorando a adesão ao tratamento e diminuindo complicações como endoftalmite.  

Outra novidade abordada é na via de administração do corticoide supracoroidal (XipereÒ – triancinolona acetonida supracoroidal), que apresenta maior biodisponibilidade da medicação nos tecidos alvos (esclera, coroide e retina), tem menor efeitos adversos no segmento anterior (aumento da PIO e progressão de catarata) e são menos invasivos, uma vez que não penetram a cavidade vítrea.  

O artigo Early adoption of triamcinolone acetonide suprachoroidal injection for uveitic macular edema: a physician survey (2024), avaliou a experiência inicial de especialistas em retina/uveíte no uso do XipereÒ para tratar o edema macular uveítico.  

O XipereÒ teve menor risco de aumento da PIO e maior duração de ação em comparação com injeções ou implantes intravítreos. A taxa de reinjeção foi de 17,7%, com intervalos médios de 3 a 6 meses e os pacientes com uveíte crônica e posterior foram os que mais necessitaram de novo tratamento.  

O estudo sugere que XipereÒ proporciona melhora rápida na acuidade visual e redução do edema macular, confirmando os achados de ensaios clínicos anteriores, como o estudo PEACHTREE (A Phase 3, Randomized, Masked, Controlled Trial of Suprachoroidal CLS-TA in Subjects With Macular Edema Associated With Non-Infectious Uveitis). 

Novidades novas medicações intravítreas 

O estudo MERIT (Macular edema Ranibizumab versus Intravitreal anti-inflammatory therapy) foi um ensaio clínico randomizado que comparou a eficácia do implante de dexametasona, metrotrexate e ranibizumab intravítreo no controle do edema macular uveítico. A terapia com corticoide, foi superior aos outros tratamentos, na melhora da acuidade visual e na redução da espessura central da retina. Apesar disso, o metrotrexate intravítreo, surge como uma alternativa de tratamento para pacientes com glaucoma e cortico-responsivos.  

O sirolimus é um imunossupressor que atua inibindo a via mTOR (mammalian target of rapamycin), reduzindo a ativação e proliferação de linfócitos T. Seu uso foi investigado no tratamento da uveíte não infecciosa, como alternativa a corticosteroides e imunossupressores convencionais, com o objetivo de minimizar os efeitos adversos desses tratamentos. Os trials SAVE (Sirolimus as a Therapeutic Approach for Uveitis – Fase 1/2a) e SAKURA (Sirolimus Study Assessing Double-masked Uveitis Treatment – Fase 3) avaliaram a eficácia, segurança e a dose do sirolimus intravítreo em pacientes com uveíte não infecciosa.  

O sirolimus intravítreo reduziu significativamente o haze vítreo, mas não melhorou a acuidade visual ou reduziu o edema macular, mas os pacientes usando essa medicação, conseguiram diminuir a dependência do corticoide.  

O sirolimus intravítreo oferece uma opção esteroide-poupadora, reduzindo o risco de efeitos adversos como hipertensão ocular e catarata e, pode ser uma alternativa promissora para pacientes cortico-dependentes ou com contraindicação ao uso prolongado de corticosteroides. 

Conclusão  

Os avanços no tratamento da uveíte não infecciosa e do edema macular uveítico demonstram a evolução das abordagens terapêuticas, com o objetivo de melhorar a eficácia e reduzir os efeitos adversos associados ao uso prolongado de corticosteroides.  

O desenvolvimento de novas vias de administração e a introdução de novas terapias imunossupressoras oferecem alternativas seguras e eficazes para pacientes com essas condições. Os estudos clínicos revisados, reforçam a importância de individualizar o tratamento, considerando fatores como o perfil de segurança da medicação, a resposta inflamatória do paciente e a necessidade de minimizar complicações oculares.  

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