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Oftalmologia28 agosto 2025

Rebamipida x lágrimas artificiais para o tratamento do olho seco

Rebamipida mostra eficácia no tratamento do olho seco com TBUT curto, superando lágrimas artificiais. Veja os resultados da meta-análise.
Por Alléxya Affonso

A doença do olho seco é uma doença multifatorial caracterizada pelo aumento da evaporação lacrimal ou produção insuficiente de lágrimas, levando a desconforto ocular e deficiência visual. Os sintomas clínicos e o ônus econômico gerados pela doença têm efeitos negativos na qualidade de vida, na produtividade no trabalho e no estado psicológico dos pacientes. 

As modalidades de tratamento da doença do olho seco são prescritas com base na gravidade dos sintomas e incluem lágrimas artificiais, agentes anti-inflamatórios, agentes promotores da secreção de mucina e fluido lacrimal, secretagogo de mucina e antibióticos. 

A solução oftálmica de Rebamipida é um novo derivado da quinolinona que melhora a estabilidade do filme lacrimal aumentando os níveis de mucina associada à membrana e protege as células epiteliais da córnea da interrupção da função de barreira induzida por TNF-α. 

Embora vários estudos tenham avaliado a eficácia de Rebamipida contra a doença do olho seco, suas descobertas são limitadas pelo tamanho pequeno da amostra.  

Assim, uma revisão sistemática e meta-análise recentes tem o objetivo de revisar e analisar os efeitos terapêuticos de Rebamipida nos sinais objetivos e sintomas subjetivos da doença do olho seco. 

Veja mais: Como diagnosticar a síndrome do olho seco?

olho seco

Métodos 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que investigaram os efeitos da Rebamipida tópica em pacientes com olho seco. Os estudos incluídos atendiam aos seguintes critérios: (1) recrutar pacientes com sintomas ou sinais clínicos de olho seco, (2) incluir pelo menos 10 pacientes e (3) fornecer relatos claros dos desfechos pós-tratamento.  

O desfecho objetivo primário foi o tempo de ruptura do filme lacrimal (TBUT), e os desfechos objetivos secundários foram o valor do teste de Schirmer, os escores de coloração com fluoresceína da córnea e os escores de coloração conjuntival com verde de lissamina. Em geral, um TBUT > 10 s e um valor de teste de Schirmer > 10 mm em 5 min são considerados normais. 

Além disso, os escores de coloração com fluoresceína da córnea e coloração conjuntival com verde de lissamina são geralmente derivados usando uma escala de classificação de Oxford que varia de 0 (ausente) a 5 (grave). 

Os desfechos subjetivos secundários incluíram sintomas oculares relacionados à olho seco (ou seja, sensação de corpo estranho, secura, fotofobia, dor ocular e visão turva) e a impressão geral do paciente sobre o tratamento.  

Esses sintomas foram avaliados por meio de um sistema de pontuação que varia de 0 a 4, onde 0 representa a ausência de sintomas e 4 indica sintomas muito graves ou sintomas que ocorrem continuamente. Pontuações mais altas correspondem a sintomas mais graves apresentados pelo paciente. Se os estudos incluídos utilizassem escalas de pontos diferentes para avaliar os sintomas subjetivos de olho seco, foi realizada a conversão proporcionalmente para uma escala de 4 pontos para facilitar uma análise abrangente. 

Para ensaios clínicos randomizados que relataram medidas de linha de base e desfechos, foi calculada as alterações nas pontuações usando o método recomendado no Manual Cochrane; por meio desse método, foi assumida uma correlação de 0,5 entre as medidas de linha de base e desfechos. Todos os dados foram inseridos e analisados no Review Manager (versão 5.3.5; Cochrane Collaboration, Oxford, Reino Unido).  

Os dados de desfechos contínuos foram analisados usando a diferença média padrão. A precisão do tamanho do efeito é expressa por meio de um intervalo de confiança de 95%. Um valor de P < 0,05 foi considerado indicativo de significância estatística. A heterogeneidade estatística foi avaliada usando o teste I2; I2 foi usado para quantificar a proporção da variabilidade total do desfecho atribuível à heterogeneidade entre os estudos incluídos. Os níveis de heterogeneidade foram divididos nas seguintes categorias: heterogeneidade baixa (I2 = 25%–50%), moderada (I2 = 51%–75%) e alta (I2 = 76%–100%). 

Resultados 

Doze estudos foram incluídos na análise e foram publicados entre 2012 e 2023 e tiveram tamanhos de amostra de pacientes variando de 25 a 308, incluindo um total de 1.368 olhos. 

Os resultados combinados demonstraram que, em comparação com lágrimas artificiais: 

  • Rebamipida a 2% aumentou significativamente o TBUT (DMP = 1,42, IC 95% = 0,20 a 2,64, P = 0,02); 
  • Não houve diferenças nas alterações dos valores do Teste de Schirmer (DP = – 0,62, IC 95% = – 2,03 a 0,78, P = 0,38).  
  • Não houve diferenças nas alterações nas pontuações de coloração com fluoresceína da córnea (DMP = – 0,48, IC 95% = – 1,50 a 0,55, P = 0,36); 
  • Não houve diferenças nas alterações nas pontuações da coloração conjuntival com verde de lissamina (DDP = – 3,64, IC 95% = – 10,15 a 2,86, P = 0,27). 

No geral, a Rebamipida a 2% gerou uma melhora mais significativa dos sintomas relacionados à olho seco do que as lágrimas artificiais (DMP = -1,61, IC 95% = -2,61 a -0,61, P = 0,002). Comparado às lágrimas artificiais, a Rebamipida a 2% não melhorou significativamente os sintomas individuais relacionados ao olho seco; no entanto, melhorou significativamente os sintomas gerais relacionados ao olho seco. 

Os eventos não oculares relacionados ao uso da Rebamipida a 2% relatados consistem em nasofaringite, diminuição da contagem de leucócitos, disgeusia e cefaleia. As diferenças nos eventos adversos entre os grupos de Rebamipida tópico a 2% e lágrimas artificiais não foram significativas (DMP = 1,23, IC 95% = 0,62 a 2,44, P = 0,55). 

Discussão 

Embora as lágrimas artificiais sejam opções de tratamento de primeira linha para o olho seco, elas não têm como alvo os fatores subjacentes à patogênese do olho seco, como a ruptura da camada de mucina. A ruptura da camada de mucina pode levar à disfunção na retenção da camada aquosa, danificando ainda mais a córnea e a conjuntiva. Portanto, agentes como Rebamipida, que aumentam os níveis de mucina, representam uma opção terapêutica atraente.  

O TBUT diminuído está associado aos sintomas de visão turva, dor e fotofobia. Na Ásia, TBUT curto é o tipo mais comum de alteração presente na doença do olho seco, que é caracterizado por um filme lacrimal instável. Para o tipo de doença do olho seco o objetivo do tratamento é estabilizar o filme lacrimal, então a primeira opção é administrar colírios secretores de mucina. Essa revisão demonstrou que a Rebamipida apresenta maiores melhorias no TBUT do que as lágrimas artificiais. A Rebamipida pode ser considerada a opção de tratamento de primeira linha para pacientes com olho seco com TBUT curto. 

O Teste de Schirmer é um teste diagnóstico comumente usado para avaliar a produção de lágrimas e a presença da síndrome do olho seco. Essa meta-análise revelou que a Rebamipida a 2% não demonstrou melhora significativa nos escores de Teste de Schirmer em comparação ao tratamento com lágrimas artificiais, o que corrobora o argumento de estudos de coorte anteriores de que a Rebamipida a 2% não melhora significativamente a produção de lágrimas em pacientes com olho seco.  

Embora a Rebamipida não tenha melhorado significativamente a pontuação da coloração com fluoresceína da córnea em pacientes com olho seco em comparação ao placebo, demonstrou capacidade estabilizadora superior.  

A meta-análise demonstrou que a Rebamipida resultou em melhorias significativamente maiores no TBUT e nos sintomas gerais relacionados ao olho seco. Portanto, a Rebamipida pode ser combinada com lágrimas artificiais como uma opção de tratamento de primeira linha, particularmente em pacientes com olho seco e instabilidade do filme lacrimal. 

Limitações  

  • Os estudos incluídos nessa meta-análise apresentaram considerável heterogeneidade devido a vários fatores clínicos.  
  • Os protocolos para iniciar a terapia tópica com Rebamipida, como o período de washout, não foram padronizados entre os estudos incluídos. 
  • A gravidade da doença nos pacientes diferiu entre os estudos incluídos.  
  • Variáveis como os escores de coloração com rosa bengala, os escores de qualidade de vida relacionados à olho seco e os valores do índice de doença da superfície ocular não foram incluídos.  

Mensagem prática 

A Rebamipida tópica é um tratamento seguro e eficaz para pacientes com doença do olho seco. Pode ser considerado um tratamento de primeira linha para pacientes com doença do olho seco em TBUT curto.  

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Referências bibliográficas

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