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Oftalmologia25 agosto 2026

Quiz: Diagnóstico e manejo de lesão pigmentada da coroide

Paciente do sexo masculino, 68 anos, branco, comparece para consulta oftalmológica de rotina com queixa de dificuldade para leitura, sem outras queixas visuais exuberantes ou agudas (nega fotopsias, escotomas ou moscas volantes).

Antecedentes Médicos Pregressos:  

  • Hipertensão Arterial Sistêmica controlada; 
  • Hiperplasia Prostática Benigna; 
  • Nega histórico pessoal ou familiar de câncer.

Antecedentes oftalmológicos: 

  • Usuário de óculos para perto (presbiopia); 
  • Nega cirurgias oftalmológicas ou traumas oculares prévios.  

Ao exame oftalmológico apresenta: 

  • Acuidade visual corrigida:  
  • OD 20/20; 
  • OE 20/20. 
  • Tonometria:  
  • OD 14mmHg;  
  • OE 13mmHg. 
  • Biomicroscopia: 
  • AO: Pálpebras e anexos normais, conjuntiva calma, córnea clara, câmara anterior formada e sem reação, íris trófica, cristalino com catarata nuclear 1+/4+.  
  • Fundoscopia e Retinografia:  
  • OD Disco normocorado, escavação fisiológica, mácula preservada, sem alterações polo posterior;

OE Papila normocorada e bem delimitada, escavação fisiológica, mácula preservada. Na média periferia temporal, observa-se uma lesão coroidal pigmentada, ovalada, de coloração cinza-ardósia. As margens são relativamente bem definidas, medindo aproximadamente 3 a 4 diâmetros de disco em seu maior eixo. Nota-se presença de drusas na superfície da lesão. Não há fluido subretiniano visível, nem halo ou pigmento laranja. O restante da retina está aplicado. (FIGURA 1) 

Figura 1: Retinografia do olho esquerdo.  

Propedêutica Armada (exames complementares) 

Diante da lesão, foram solicitados exames para documentação e estadiamento: 

Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de Alta Resolução (varredura sobre a lesão): Evidencia elevação discreta da coroide, com o epitélio pigmentar da retina (EPR) sobrejacente apresentando irregularidades focais (compatíveis com as drusas vistas na retinografia). Ausência total de fluido sub-retiniano. Não há edema retiniano intralesional. Espessura da lesão estimada em menos de 1,5 mm (Figura 2).  

Figura 2: OCT de Alta Resolução na região da lesão (olho esquerdo) 

Ultrassonografia Ocular (USG B-scan e A-scan):  O B-scan confirma uma lesão sólida, em formato de cúpula (dome-shaped), com baixa elevação (aproximadamente 1,2 mm de espessura e 5 mm de base). O A-scan demonstra alta refletividade interna. Sem evidência de escavação coroidal, pulsação vascular interna ou extensão extraescleral (Figura 3).  

Figura 3: Ultrassonografia Ocular – Olho Esquerdo 

Angiofluoresceinografia (AGF): A lesão apresenta hipofluorescência nas fases precoces e tardias (devido ao bloqueio da fluorescência coroidal pelo pigmento). Não há pontos de vazamento, neovascularização ou padrão em “double circulation”. As drusas sobrejacentes apresentam impregnação (hiperfluorescência) característica (Figura 4) 

Figura 4: Angiofluoresceinografia do olho esquerdo.  

Diante da história clínica, do aspecto fundoscópico e dos achados de imagem, qual o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?  

Autoria

Foto de Pedro Hélio Júnior

Pedro Hélio Júnior

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal de Uberlandia (UFU), com residencia médica em Oftalmologia e Mestrado pela mesma instituição e fellowship em Glaucoma (pelo Glaucoma Instituto). Além da atuação na Afya, é professor de oftalmologia e coordenador da residência médica de oftalmologia do IMEPAC-HUSF (Araguari).

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