A primeira cirurgia de catarata totalmente assistida por robô em um paciente humano foi realizada recentemente, marcando um novo passo no uso da robótica em oftalmologia. O procedimento foi feito com a plataforma JASPER, desenvolvida pela ForSight Robotics. A intervenção ocorreu nas Filipinas e representa um marco importante na transição de sistemas robóticos oftalmológicos do ambiente experimental para a prática clínica.
Para a oftalmologista e editora do Portal Afya, Alléxya Affonso, o caso tem peso histórico, mas ainda precisa ser interpretado com cautela. “Eu diria que é uma grande revolução, mas ainda em fase de validação. Já saiu do laboratório, já foi feito em humano, o que é enorme, mas ainda precisa passar por estudos maiores e aprovações antes de virar rotina”, afirma.

O que muda na prática
A plataforma foi projetada para executar todas as etapas da cirurgia de catarata com suporte de imagem avançada e controle robótico de alta precisão. A proposta é reproduzir o fluxo cirúrgico convencional com maior estabilidade dos movimentos, redução da variabilidade técnica e potencial ganho de eficiência intraoperatória.
Na avaliação da especialista, o principal diferencial prático está na precisão e na padronização do procedimento. “O robô traz um nível de precisão e estabilidade que vai além da limitação da mão humana”, diz. Ela acrescenta que, para o paciente, um dos possíveis ganhos é a consistência: “A ideia é que a cirurgia tenha sempre o mesmo padrão de qualidade, independente do momento do dia ou da fadiga do cirurgião”.
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Diferenças em relação a outras tecnologias
O avanço também chama atenção por ir além dos sistemas já conhecidos na oftalmologia. “A grande diferença aqui é que não estamos falando de um sistema que ajuda em partes da cirurgia e sim de uma plataforma que participa do procedimento como um todo”, explica Alléxya. Hoje, tecnologias como o FEMTO atuam em etapas específicas, enquanto a nova proposta é acompanhar o fluxo completo da cirurgia.
Apesar do potencial, ainda não há evidências suficientes para afirmar que a robótica reduzirá complicações de forma consistente na prática. A cirurgia de catarata já é considerada extremamente segura, mas a expectativa é que a automação avançada contribua para diminuir a variabilidade natural entre procedimentos. “O robô não cansa, não treme, não perde precisão ao longo do dia”, resume a oftalmologista.
Papel do médico continua central
Outro ponto destacado é que a tecnologia não elimina a atuação médica. “O médico continua sendo central. Isso não é uma cirurgia ‘automática’”, afirma. Segundo ela, o papel do cirurgião tende a se tornar menos físico e mais estratégico, com supervisão contínua do sistema e tomada de decisão clínica em todas as etapas.
No curto prazo, a incorporação dessa tecnologia em larga escala ainda esbarra em custo, validação clínica e treinamento profissional. “Não é impossível, só não é imediato”, diz Alléxya, ao comentar a possibilidade futura de aplicação em centros de alto volume, inclusive no contexto do sistema público de saúde.
Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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