Dois ensaios clínicos de fase 3 com brepocitinibe identificaram menor ocorrência de falha terapêutica em comparação ao placebo em adultos com uveíte não infecciosa. Os resultados dos estudos CLARITY-1 e CLARITY-2 foram divulgados em 21 de outubro de 2026 pelas empresas responsáveis pelo desenvolvimento do medicamento, ainda sem publicação integral revisada por pares.
O programa incluiu 371 adultos com uveíte não infecciosa intermediária, posterior ou panuveíte ativa. Os participantes foram randomizados para receber brepocitinibe oral, na dose de 45 mg uma vez ao dia, ou placebo, durante 48 semanas. Ambos os grupos receberam inicialmente corticosteroides orais, na dose de 60 mg/dia por duas semanas, seguida de redução gradual obrigatória até a suspensão na oitava semana. Um participante randomizado que não recebeu o tratamento foi excluído das análises de eficácia.

Falha terapêutica foi menor com brepocitinibe nos dois ensaios
Na semana 48, a incidência acumulada de falha terapêutica no CLARITY-1 foi de 35,4% com brepocitinibe e 78,7% com placebo. No CLARITY-2, os percentuais foram de 32,4% e 77,8%, respectivamente.
O desfecho primário foi o tempo até a falha terapêutica, avaliado entre as semanas 6 e 48. A falha foi definida por critérios que incluíam surgimento de lesões inflamatórias coriorretinianas ou vasculares retinianas, piora da inflamação na câmara anterior ou do vítreo e redução da acuidade visual. A mediana do tempo até a falha não foi alcançada no grupo tratado durante as 48 semanas de acompanhamento, enquanto foi de 13 semanas no grupo placebo do CLARITY-1 e 12 semanas no CLARITY-2.
Controle da inflamação sem corticosteroides
Na análise conjunta dos dois estudos, 62% dos participantes tratados com brepocitinibe apresentaram ausência de atividade inflamatória em ambos os olhos, sem uso de corticosteroides, na semana 48, em comparação com 20% no grupo placebo. Entre os olhos com edema macular no início dos estudos, houve resolução em 42% com brepocitinibe e 4,8% com placebo.
Também foram observados resultados favoráveis na avaliação da inflamação vascular por angiografia fluoresceínica e na função visual relatada pelos participantes. Esses achados correspondem a desfechos secundários avaliados nos ensaios e não demonstram superioridade do brepocitinibe em relação a tratamentos ativos.
Eventos adversos graves exigem atenção
Na análise conjunta de segurança, eventos adversos foram registrados em 82% dos participantes tratados com brepocitinibe e 65% daqueles que receberam placebo. Eventos adversos graves ocorreram em 8% e 3%, respectivamente. A ocorrência de herpes-zóster foi de 6% com brepocitinibe e inferior a 1% com placebo. A interrupção definitiva do tratamento por eventos adversos ocorreu em 3% dos participantes de ambos os grupos.
Foi registrado um óbito no grupo brepocitinibe, em um participante com sarcoidose e doença pulmonar intersticial avançada. Segundo os responsáveis pelos estudos, a morte ocorreu por complicações pulmonares associadas à sarcoidose fibrótica, confirmadas por autópsia.
A exposição acumulada ao brepocitinibe foi aproximadamente duas vezes maior que a do placebo, devido ao desenho dos estudos, que previa a transição para tratamento aberto após falha terapêutica. Essa diferença deve ser considerada na interpretação dos percentuais de eventos adversos entre os grupos.
Indicação para uveíte ainda não foi aprovada
Os estudos CLARITY-1 e CLARITY-2 foram randomizados, duplo-mascarados e controlados por placebo. Os resultados divulgados pelas empresas ainda não foram apresentados em uma publicação científica completa revisada por pares. Além disso, os ensaios não realizaram comparação direta com adalimumabe ou outros tratamentos ativos.
Nos Estados Unidos, o brepocitinibe já é aprovado para o tratamento de adultos com dermatomiosite, mas não para uveíte não infecciosa. Segundo a Priovant, a apresentação de um pedido de ampliação da indicação ao FDA está prevista para o primeiro semestre de 2027.
Embora os resultados indiquem benefícios no controle da inflamação ocular e na redução da falha terapêutica, a incorporação dessa nova indicação dependerá da avaliação regulatória dos dados de eficácia e segurança.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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