A desnutrição é um desafio nos pacientes com câncer, uma vez que está associada à redução da massa muscular, baixa adesão e resposta aos tratamentos contra o câncer, diminuição da qualidade de vida e redução do tempo de sobrevivência. A avaliação nutricional e a intervenção devem ser uma parte vital de qualquer plano abrangente de tratamento do câncer.
Esse é um artigo de revisão em que são discutidas as recomendações das sociedades europeia e americana de nutrição clínica sobre intervenções nutricionais em pacientes desnutridos com câncer na prática clínica atual.
Metodologia
Intervenções nutricionais precoces devem ser instituídas na população oncológica, devendo haver foco em avaliação, detecção de deficiências nutricionais, manejo dietético, estratégias e orientações nutricionais como início de suplementos nutricionais orais (SNO). Esses suplementos devem ser prescritos quando a alimentação padrão não atender às necessidades nutricionais. Nutrição enteral (NE) via sonda é geralmente prescrita como tratamento se a ingestão oral inadequada persistir após uma tentativa com SNO e o trato gastrointestinal (TGI) for funcionante. Por outro lado, em pacientes com doenças ou disfunção do TGI, nutrição parenteral (NP) pode ser adotada.
Ao contrário da nutrição parenteral total (NPT), que fornece toda a necessidade nutricional diária, a NP suplementar (NPS) é a adição de NP quando apenas a NE (via oral ou sonda) não conseguir atingir as metas calóricas e proteicas. NPS é preferível ao NPT, pois é menos demorada e pode ser feita com tempo de infusão mais curto (geralmente 6–8 horas para vários dias em vez de 12–18 horas todos os dias).
Resultados encontrados e discussão
O diagnóstico precoce de desnutrição pode ser alcançado através da triagem de rotina no momento do diagnóstico oncológico ou à admissão hospitalar, e deve ser repetida em intervalos regulares durante o curso do tratamento ou da internação. O objetivo, com isso, é a intervenção nutricional precoce e efetiva para aproveitar qualquer janela anabólica e otimizar o estado nutricional dos pacientes.
De acordo com a diretriz da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (ESPEN), em pacientes submetidos a tratamento curativo com medicamentos anticancerígenos, intervenção nutricional é indicada se os pacientes não conseguirem comer adequadamente (por exemplo, sem comer por >1 semana ou comer <60% das necessidades por >1–2 semanas). Os benefícios da nutrição oral, NE e NP são semelhante, e faltam evidências fortes sobre os resultados clínicos de pacientes com câncer e questões nutricionais para apoiar um versus o outro.
Quando a nutrição enteral (oral ou por sondas) não for viável ou não for suficiente para atingir as necessidades nutricionais dos pacientes, pode-se avaliar o início de NPS.
Conclusão
Questões relacionadas à nutrição são frequentemente esquecidas durante o tratamento do câncer, embora haja evidência para mostrar que a otimização nutricional poderia potencialmente melhorar a qualidade de vida, a tolerância às terapias sistêmicas, a resposta tumoral e sobrevivência. Recomenda-se que a avaliação e intervenção nutricional sejam componentes essenciais do cuidado oncológicos.
Devido à falta de evidências direta sobre os benefícios do suporte nutricional (especialmente NPS) para esses pacientes, sugere-se maior invasividade da intervenção nutricional depois de se avaliar cuidadosamente a via mais fisiológica (SNO ou NE). Se TGI não for viável, deve-se considerar NPS com objetivo de melhorar a resposta do paciente à terapia oncológica e os riscos de complicações não devem ser um impedimento para recomendar NPS uma vez que os benefícios superam os riscos.
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