A tireoidite de Hashimoto (TH) é uma doença autoimune cuja causa exata ainda não é totalmente compreendida, mas fatores genéticos, epigenéticos e ambientais contribuem para seu desenvolvimento e progressão em indivíduos suscetíveis. A incidência e prevalência de TH assim como de outras doenças auto-imunes aumentaram nas últimas décadas principalmente em países desenvolvidos do hemisfério Norte, uma vez que a autoimunidade está relacionada a fatores ambientais. O estilo de vida ocidental, com sedentarismo, estresse e mudanças na alimentação, pode ser um fator-chave nesse processo.
A dieta mediterrânea (MedD) exerce efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes que são benéficos nas doenças autoimunes da tireoide (DAT). Recentemente, uma dieta isenta de glúten (DIG) tem sido proposta para pacientes não celíacos com TH, mas sua utilidade ainda está em debate. Este estudo avalia os efeitos desses dois tipos de dieta em pacientes com TH.
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Métodos
Este foi um estudo prospectivo, randomizado e controlado, com cegamento simples, realizado na Itália, ao longo de seis meses que avaliou os efeitos da dieta mediterrânea (MedD) e da dieta isenta de glúten (DIG) em 45 pacientes com TH.
Após 12 semanas, a MedD reduziu significativamente o estresse oxidativo, aumentando a atividade antioxidante, enquanto a DIG não apresentou impacto relevante nesses marcadores. Nenhuma das dietas alterou significativamente os níveis de hormônios tireoidianos ou autoanticorpos.
Resultados encontrados e discussão
Em relação aos parâmetros de estresse oxidativo, foram encontrados valores significativamente mais baixos de produtos finais de glicação avançada (AGEs) e valores mais altos dos antioxidantes glutationa peroxidase (GPX), tireodoxina redutase (TRxR) e da atividade antioxidante total do plasma (TEAA) no grupo MedD (p < 0,001) após as 12 semanas, e em comparação com o grupo DIG no qual os parâmetros de estresse oxidativo não apresentaram mudanças significativas em relação aos valores basais.
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Conclusão e mensagem prática
As dietas ocidentais, ricas em calorias, gordura trans, sal e açúcar refinado e pobre em fibras, está associada a aumento de processos inflamatórios e imuno-mediados, como as doenças autoimunes. A dieta mediterrânea, rica em antioxidantes, fibras e micronutrientes, melhora a imunidade, a microbiota intestinal e o equilíbrio redox, proporcionando efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Este estudo piloto confirma o efeito protetor da MedD contra o estresse oxidativo, enquanto a DIG não influencia significativamente os marcadores de estresse oxidativo e/ou os parâmetros de autoimunidade/função tireoidiana.
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