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Medicina de Família28 janeiro 2026

Casos de hanseníase diminuem no Brasil com fortalecimento da atenção básica

Expansão da Estratégia Saúde da Família contribui para queda de diagnósticos, embora doença siga endêmica em regiões vulneráveis

O número de novos casos de hanseníase no Brasil apresentou queda significativa na última década. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam redução de 29% entre 2014 e 2024, com os registros passando de 31.064 para 22.129 casos confirmados, considerando os anos completos disponíveis no sistema.

Saiba mais: Dia mundial de combate à hanseníase: esclarecendo uma antiga conhecida

A diminuição ocorreu de forma progressiva ao longo do período, com aceleração a partir de 2019. Apesar da possibilidade de subnotificação durante a pandemia de covid-19, a tendência é avaliada como positiva e associada ao fortalecimento da atenção primária à saúde, especialmente em regiões do país que historicamente apresentavam falhas no acesso aos serviços básicos.

Atenção básica e impacto no controle da doença

A ampliação da Estratégia Saúde da Família tem sido apontada como um dos principais fatores para a redução dos diagnósticos. A presença contínua de equipes multiprofissionais nos territórios facilita a identificação precoce dos sinais da doença, o acompanhamento regular dos pacientes e a adesão ao tratamento, contribuindo para a interrupção da transmissão.

Apesar do avanço, o Brasil segue ocupando a segunda posição mundial em número absoluto de novos casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Classificada como doença negligenciada, a enfermidade ainda enfrenta baixa priorização nos planejamentos de saúde pública, mesmo sendo passível de controle e eliminação com ações efetivas de vigilância e cuidado contínuo.

Redução e desafios

Os dados revelam que a queda foi mais acentuada entre crianças e adolescentes. Na faixa etária de 0 a 4 anos, os registros diminuíram 80%. Entre crianças de 5 a 9 anos, a redução foi de 58%, enquanto entre adolescentes de 10 a 14 anos o recuo chegou a cerca de 62%, o maior entre todos os grupos analisados. A única faixa etária com leve aumento foi a de pessoas acima de 80 anos, embora os números indiquem estabilidade ao longo dos anos.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 foram distribuídos 3,4 milhões de medicamentos para o tratamento da hanseníase, incluindo esquemas completos de poliquimioterapia. A meta é alcançar 87% dos municípios brasileiros sem casos autóctones em menores de 15 anos por pelo menos cinco anos consecutivos. Atualmente, pouco mais de 80% dos municípios já atingem esse indicador.

A hanseníase permanece mais frequente em áreas de maior vulnerabilidade social e afeta principalmente pessoas com menor renda e escolaridade. Como os sintomas iniciais costumam ser discretos, o diagnóstico precoce segue sendo um desafio, reforçando a importância da atenção básica no controle da doença e na prevenção de sequelas.

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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