A 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026) foi o local para o lançamento de algumas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Um dos que mais ganhou destaque foi o guideline de doxiPEP.
A profilaxia pós-exposição com doxiciclina (doxiPEP) vem ganhando espaço nos últimos anos, como uma ferramenta de prevenção de infeções sexualmente transmissíveis (IST) bacterianas.
Os estudos mostram redução significativa nos casos de sífilis e clamídia com o uso da doxiPEP, com resultados heterogêneos na redução nos casos de gonorreia. Além de eficaz, o esquema profilático é seguro e considerado apropriado, com alta aceitabilidade entre os usuários.
Considerando essas características, a OMS fez a recomendação de doxiPEP como parte de uma abordagem compreensiva de saúde sexual, complementando outras estratégias preventivas, como o uso de preservativos.

As recomendações do guidelines incluem:
– DoxiPEP pode ser oferecida a homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres transgênero para a prevenção de IST bacterianas (recomendação condicional, nível de certeza moderado).
– HSH e mulheres trans com IST recente ou recorrente – especialmente sífilis – e indivíduos em redes sexuais de alta incidência devem ser considerados como populações prioritárias.
– Idealmente, deve-se monitorar o uso de antibióticos e a resistência antimicrobiana a antibióticos.
– A posologia é de 200mg de doxiciclina, idealmente nas primeiras 24h, não ultrapassando 72h, após exposição sexual desprotegida.
– Deve-se evitar a repetição da profilaxia dentro de qualquer período de 24h. Não há recomendação para uso diário ou como profilaxia pré-exposição.
– Deve-se continuar monitorando eventos adversos e comunicar estratégias para mitigar os mais conhecidos (por exemplo, ingerir doxiciclina com alimentos para reduzir os eventos gastrointestinais).
– Interações com alimentos devem ser consideradas: produtos contendo ferro, magnésio ou cálcio – incluindo alimentos e suplementos – podem reduzir a absorção de doxiciclina e devem ser ingeridos com pelo menos algumas horas de intervalo.
– A eligibilidade deve ser reavaliada periodicamente, considerando mudanças na incidência de IST, comportamento sexual, preferências individuais e tolerância aos medicamentos.
O guideline pode ser encontrado na página da OMS: https://www.who.int/publications/i/item/9789240124110
Autoria

Isabel Melo
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Infectologia pela mesma instituição (2020). Além da atuação na Afya, é médica no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.