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Infectologia30 janeiro 2026

Durabilidade da resposta vacinal contra Hepatite A em imunossuprimidos e PVHIV

Estudo avaliou a persistência da resposta imunológica três anos após o esquema vacinal da hepatite A nessas populações específicas.
Por Camila Rangel
A hepatite A, causada pelo vírus HAV, é transmitida predominantemente pela via fecal-oral. Em indivíduos imunocomprometidos, o risco de evolução para formas graves e complicações hepáticas é significativamente maior. Embora a vacinação seja altamente eficaz em adultos hígidos, conferindo imunidade frequentemente vitalícia, a durabilidade dessa proteção em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) ou sob terapia imunossupressora ainda carece de evidências robustas a longo prazo. Este estudo prospectivo avaliou a persistência da resposta imunológica três anos após o esquema vacinal primário nessas populações específicas.

Metodologia

O estudo acompanhou 88 adultos (de uma coorte inicial de 150) que completaram o esquema vacinal primário contra Hepatite A. Os participantes foram estratificados em quatro grupos:
1) Pacientes vivendo com HIV em uso de TARV – n =23 pacientes;
2) Pacientes em uso de um imunossupressor – n = 29 pacientes;
3) Pacientes em uso de 2 ou mais imunossupressores – n = 20 pacientes;
4) Controle: pacientes sem uso de imunossupressor – n =16.
O desfecho primário foi a taxa de soroproteção no 3º ano, definida por níveis de Anti-HAV ≥20 mUI/mL (considerados indicativos de imunidade contra a infecção pelo HAV). Amostras sorológicas foram analisadas 36 meses após a primeira dose para quantificar os títulos de anticorpos.

Resultados

Após 3 anos, a maioria dos pacientes imunocomprometidos manteve a soroproteção, embora as taxas tenham sido inferiores às observadas no grupo controle (100%):
  • PVHIV: 87% de soroproteção
  • Monoterapia: 90% de soroproteção
  • Terapia Combinada: 65% de soroproteção — o grupo com o desempenho significativamente mais baixo.
As taxas de sororeversão (perda da proteção inicial) foram de 13% para PVHIV e 21% para aqueles em terapia combinada. Além disso, as concentrações médias geométricas de anticorpos foram significativamente menores em todos os grupos de pacientes imunocomprometidos quando comparadas aos controles saudáveis. O estudo observou que a queda de anticorpos ocorre em ritmo semelhante ao de adultos saudáveis. Um achado relevante é que a perda da proteção não se deve a um declínio acelerado dos anticorpos, mas sim a um pico de resposta inferior (títulos máximos mais baixos) atingido logo após a vacinação primária. Limitações como a perda de seguimento, tamanho reduzido da amostra final e o método utilizado para avaliação da soroproteção devem ser considerados na interpretação dos dados.

Mensagem Prática

A durabilidade da soroproteção contra hepatite A é menor em pacientes imunocomprometidos, especialmente naqueles em uso de múltiplos agentes imunossupressores. Embora a maioria permaneça protegida após três anos, a menor magnitude da resposta inicial coloca esses pacientes em risco precoce de sororeversão. A maioria dos pacientes imunocomprometidos permanece protegida três anos após a vacinação primária. Pacientes em uso de múltiplos imunossupressores apresentam maior risco de perda de soroproteção, exigindo vigilância redobrada. Embora a soroproteção caia, ainda não é consenso se doses de reforço são estritamente necessárias para todos os que sororeverteram, pois a memória celular pode oferecer por meio da memória celular.

Autoria

Foto de Camila Rangel

Camila Rangel

Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.

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