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Infectologia28 julho 2026

AIDS 2026: Mortalidade e doença avançada pelo HIV

Primeiro dia do congresso discutiu o impacto da doença avançada pelo HIV como problema de saúde pública. Confira dicas aos profissionais.
Por Isabel Melo

Um dos assuntos debatidos nos primeiros dias da 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026) foi o impacto da doença avançada pelo HIV como problema de saúde pública. 

Embora a mortalidade associada ao HIV venha diminuindo globalmente nos últimos anos, ela ainda é considerada elevada, especialmente ao se considerar que são mortes evitáveis. 

A doença avançada pelo HIV – entendida como contagem de CD4 < 200 células/mm³ – é um dos fatores associados a menor sobrevida em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e sua abordagem faz parte de uma das prioridades para o controle da epidemia. 

Quando se analisam os óbitos associados ao HIV, destacam-se a alta prevalência de doença tardia, em que os indivíduos apresentam contagem de CD4 < 50 células/mm³ e a alta frequência de infecções oportunistas – isoladas ou de forma associada -, incluindo tuberculose (TB) e histoplasmose. 

Esses fatos refletem alguns dos principais desafios para diminuir a mortalidade relacionada ao HIV: dificuldades na retenção do cuidado, coinfecções, principalmente com TB, e falhas nas estratégias de testagem e, por consequência, no diagnóstico precoce. 

Em relação à retenção, destaca-se que as análises da cascata clássica de cuidado não conseguem captar os períodos de interrupção de tratamento e de perda de seguimento e estudos mostram que, em pacientes hospitalizados, a mortalidade foi maior entre indivíduos com interrupção de tratamento em relação aos que ainda não haviam iniciado terapia antirretroviral, apesar de frequência semelhante de infecções oportunistas. 

 Ações que procurem identificar de forma rápida pacientes faltosos e que sejam direcionadas ao seu retorno ao cuidado podem ajudar a mitigar a perda de seguimento desses indivíduos. 

Outro ponto é a grande mortalidade associada à coinfecção TB-HIV. Apesar de diversos tratamentos preventivos estarem disponíveis, ainda são pouco utilizados e a proporção de pacientes que terminam o tratamento prescrito está abaixo do ideal. 

Novos casos de remissão do HIV elevam número de pacientes sem vírus detectável

Conduta de profissionais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca algumas ações prioritárias para reduzir a mortalidade associada ao HIV: 

– diagnóstico precoce; 

– dosagem de CD4; 

– pacotes de cuidado para HIV avançado: início rápido de tratamento, diagnóstico de TB e meningite criptocócica e prevenção de TB, criptococose e infecções bacterianas; 

– apoio e suporte a pessoas que receberam alta de hospitalizações; 

– vigilância e divulgação de dados em saúde. 

Pontos de atenção

Contudo, algumas barreiras que limitam a plena oferta do cuidado para PVHIV adultos e crianças podem ser percebidas e devem ser tema de investimento e desenvolvimento de políticas públicas, tais como: 

– capacidade limitada de ofertar o pacote de cuidado completo em unidades primárias de saúde; 

– acesso e suprimento inconsistentes a testes e medicamentos considerados chave para diagnósticos e tratamento (por exemplo, dosagem de CD4 point-of-care e formulações lipídicas de anfotericina B); 

– falta de acesso a testes emergentes, como antígeno urinário de histoplasma, LF-LAM e Crag; 

– ausência de evidências de vida real na implementação de pacotes de cuidado pediátricos.  

Autoria

Foto de Isabel Melo

Isabel Melo

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Infectologia pela mesma instituição (2020). Além da atuação na Afya, é médica no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.

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