Logotipo Afya
Anúncio
Infectologia2 agosto 2026

AIDS 2026: Cabotegravir mantém eficácia como PrEP em mulheres com atrasos curtos

Dados da AIDS 2026 mostram cabotegravir como PrEP eficaz em mulheres, sem infecções por HIV mesmo com atrasos curtos.
Por Isabel Melo

Entre as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de longa duração, o cabotegravir (CAB-LA) já demonstrou sua eficácia como injeção intramuscular em diversos ensaios clínicos envolvendo mulheres cisgênero e transgênero. Contudo, dados de vida real ainda são escassos.

A 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026) trouxe os resultados de um estudo com mulheres morando nos Estados Unidos da América em uso de CAB-LA.

Como foi o estudo da coorte OPERA?

Mulheres transgênero e cisgênero adultas pertencentes à coorte norte-americana OPERA, sem infecção pelo HIV e que receberam pelo menos uma injeção de CAB-LA como PrEP, foram acompanhadas até perda de seguimento, óbito ou encerramento do estudo, que ocorreu em 30 de abril de 2025.

Entre 2021 e 2024, 5.330 mulheres na coorte iniciaram alguma modalidade de PrEP. Dessas, somente 6% iniciaram CAB-LA, sendo a maior parte em uso de PrEP oral, seja com TDF/FTC (80%), seja com TAF/FTC (14%).

O grupo em uso de CAB-LA foi semelhante ao grupo em uso de PrEP oral na maior parte das características, exceto pela maior proporção de mulheres transgênero, com IMC ≥ 30 kg/m² e recebendo seguro-saúde governamental Medicaid.

Quem iniciou CAB-LA na coorte?

Das 315 mulheres que iniciaram CAB-LA, 66% já haviam recebido PrEP oral previamente.

À época da primeira injeção, a mediana de idade foi de 28 anos (IQR = 23–37), 43% eram negras, 32% eram transgênero, 43% tinham IMC ≥ 30 kg/m² e 32% tinham tido alguma infecção sexualmente transmissível (IST) nos últimos 12 meses.

Como foi a adesão às injeções?

Considerando as injeções iniciais, a maioria das mulheres, 80%, completou a fase de iniciação. Entre essas, 87% (220/252) completaram a etapa dentro do intervalo preconizado, até 37 dias após a primeira injeção.

Em relação às injeções de manutenção, 83% das 252 mulheres que completaram a fase de iniciação receberam pelo menos uma injeção posterior.

A mediana foi de 4 injeções de manutenção por mulher (IQR = 2–9), sendo 88% dessas doses administradas no tempo preconizado.

Entre as doses atrasadas, a mediana de tempo de atraso foi de 8 dias (IQR = 3–17).

A proporção de descontinuação, definida como > 127 dias sem injeção, o que corresponde a duas doses perdidas, foi de 38%.

Dentre as mulheres que interromperam o uso de CAB-LA, 30% retornaram posteriormente.

Houve infecções por HIV durante o seguimento?

Não houve nenhuma infecção pelo HIV registrada entre as mulheres acompanhadas.

Mensagem prática

Esses resultados mostram que CAB-LA foi eficaz como forma de prevenção de HIV em mulheres estadunidenses em acompanhamento médico regular, mesmo com atrasos curtos em sua administração.

Além disso, entre as mulheres que interromperam o uso, aproximadamente um terço retomou o CAB-LA posteriormente, sugerindo aceitabilidade entre as usuárias.

Autoria

Foto de Isabel Melo

Isabel Melo

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com residência médica em Infectologia pela mesma instituição (2020). Além da atuação na Afya, é médica no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) e no Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, na Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Infectologia