O prurido é uma sensação desagradável na pele que leva ao desejo urgente de coçar, e é uma das queixas dermatológicas mais comuns. Pode estar associado a vários problemas cutâneos como xerose, dermatite de contato, dermatite atópica, psicodermatoses e farmacodermias. No entanto, muitos casos podem sinalizar doenças sistêmicas ou permanecem sem causa definida.
As causas internas mais comuns de prurido crônico são insuficiência renal crônica, doenças hepatobiliares e hematológicas, sendo menos frequente em pacientes com doenças endócrinas, metabólicas, síndromes desabsortivas, doenças infecciosas e tumores sólidos.
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Apresentação clínica
O prurido tem sido associado a doenças do sistema hematopoiético por décadas. As principais condições relacionadas são linfoma de Hodgkin, leucemia e linfoma cutâneo de células T (LCCT), mieloma múltiplo, linfoma não Hodkin, policitemia vera e carências de ferro.
Nas leucemias, o prurido é mais comum nas formas linfocíticas em relação às mieloides, e predomina nos quadros crônicos. A gravidade da coceira se correlaciona com estágios avançados e, dessa forma, a coceira intratável deve sempre ser investigada. Ainda não está definido se o nível sérico de lactato desidrogenase (LDH), comumente solicitado para investigação de câncer, tem utilidade diagnóstica em portadores de prurido.
Outra queixa que sempre deve levantar suspeita é um padrão de coceira após contato com água durante o banho, denominado “prurido aquagênico”. Esse sintoma é relatado em aproximadamente 40 a 65% dos pacientes portadores de policitemia vera (PV), uma doença mieloproliferativa rara, caracterizada por eritrocitose que leva a uma elevação da hemoglobina e da massa eritrocitária. O prurido pode preceder o diagnóstico da PV, e pode ser tão intenso que alguns pacientes se recusam a tomar banho.
Nesses pacientes outros gatilhos como sudorese, consumo de álcool e mudança repentina de temperatura também podem precipitar o sintoma. O prurido aquagênico também ocorre em linfomas e leucemias, mas com menor frequência. Medidas como alcalinização da água do banho com bicarbonato de sódio, capsaicina tópica, anti-histamínicos, anti-serotonérgicos ou fototerapia podem ser adotadas.
A maior ocorrência de prurido em pacientes com mutação JAK2 617V aponta que os inibidores da via de sinalização JAK-STAT, como ruxolitinibe, podem melhorar a doença subjacente e aliviar o sintoma.
Por fim, a deficiência de ferro, com ou sem anemia, também pode ser uma causa de prurido generalizado, que pode estar associado a outros sinais cutâneos como glossite e queilite angular.
O prurido generalizado em idosos do sexo masculino deve alertar para a possibilidade de alcoolismo ou neoplasias. O sintoma apresenta boa resposta à suplementação de ferro, que deve ser continuada por três meses após a normalização dos níveis de hemoglobina.
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