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Ginecologia e Obstetrícia20 abril 2026

Uso de minoxidil melhora o aparecimento de barba em homens trans

Estudo avalia se minoxidil tópico 3% melhora o crescimento de barba em homens trans em uso de testosterona.
Por Sérgio Okano

Uma das principais queixas observadas em homens trans em uso de testosterona é o aparecimento de calvície e a necessidade de desenvolvimento de pelos faciais e corporais. Essa característica sexual secundária pode ser crucial para a possibilidade de reconhecimento da identidade masculina nessas pessoas. Entretanto, mesmo durante a terapia hormonal de afirmação de gênero (THAG), alguns homens trans podem apresentar ganho de pelos faciais aquém do desejado.

Diante desse contexto, foi publicado recentemente no Journal of Dermatological Treatment um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado, que avaliou se o uso de minoxidil tópico 3% é capaz de melhorar o crescimento de pelos faciais em homens trans com THAG estabelecida. A existência do estudo e seu desenho randomizado, duplo-cego e controlado constam no registro PubMed do artigo.

Metodologia

Desenho do estudo

Foi conduzido um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com o objetivo de avaliar a eficácia e a segurança do minoxidil tópico 3% para aumento de pelos faciais em homens trans em uso estável de terapia hormonal de afirmação de gênero. O artigo informa 69 participantes e o uso do placebo/veículo como comparador.

População avaliada

O estudo incluiu 69 homens trans com tratamento hormonal estabelecido. Os participantes foram distribuídos entre grupo minoxidil (n = 34) e grupo placebo (n = 35), conforme descrito no texto-base e confirmado nas fontes indexadas.

Desfechos analisados

A avaliação foi realizada por videodermatoscopia, com análise de:

  • densidade da barba;
  • diâmetro dos fios da barba;
  • densidade do bigode;
  • diâmetro dos fios do bigode.

Também foram avaliados o escore modificado de Ferriman-Gallwey (mFGS), qualidade de vida e satisfação dos participantes. As fontes consultadas descrevem como desfechos primários as mudanças em densidade e diâmetro dos pelos faciais ao longo de 12 semanas.

Veja também: TESTO 2025: Debate sobre terapia hormonal em homens trans

Resultados com exemplos

Ganho de pelos faciais

O grupo que utilizou minoxidil apresentou melhora significativa em comparação ao placebo em diferentes parâmetros de crescimento de pelos faciais:

  • densidade da barba: 11,16 vs. 0,08 fios/cm² (p = 0,01);
  • diâmetro dos fios da barba: 5,37 vs. -0,33 μm (p = 0,01);
  • densidade do bigode: 18,45 vs. 1,74 fios/cm² (p = 0,003);
  • diâmetro dos fios do bigode: 4,83 vs. 1,31 μm (p = 0,008).

As avaliações pelo escore modificado de Ferriman-Gallwey também demonstraram melhora significativa com o uso de minoxidil.

Impacto em qualidade de vida e satisfação

Houve melhora expressiva da qualidade de vida, com redução da mediana do DLQI de 5 para 1,5 no grupo minoxidil, em comparação com redução de 4 para 3 no grupo placebo (p < 0,05). Além disso, os níveis de satisfação dos pacientes foram maiores no grupo intervenção (8,16 vs. 5,36; p < 0,001).

Segurança

Os eventos adversos foram mínimos e semelhantes entre os grupos, sugerindo boa tolerabilidade no curto prazo. O estudo também reporta segurança do minoxidil tópico 3% durante o período avaliado.

Mensagem prática

O estudo sugere que o minoxidil tópico 3% pode ser uma estratégia adjuvante útil para homens trans em uso de testosterona que desejam maior desenvolvimento de barba e bigode, com melhora de parâmetros objetivos, satisfação e qualidade de vida. A população de homens trans em uso de testosterona frequentemente busca crescimento de pelos faciais como parte dos objetivos da hormonização, tema também discutido em conteúdos do Portal Afya.

No entanto, alguns pontos de limitação devem ser considerados:

Limitações do estudo

  • o tamanho relativamente pequeno da amostra pode limitar a generalização dos resultados;
  • a duração variável da terapia hormonal entre os participantes introduz heterogeneidade na resposta ao tratamento;
  • o seguimento de 12 semanas não permite concluir sobre a sustentabilidade do benefício em longo prazo;
  • a durabilidade das melhorias após interrupção do tratamento permanece desconhecida;
  • o perfil demográfico relativamente homogêneo da amostra pode não representar toda a diversidade de homens trans em diferentes contextos étnicos, etários e geográficos.

Assim, o trabalho reforça a importância de discutir protocolos e intervenções específicas nas equipes que acompanham a hormonização de pessoas trans, para além da prescrição exclusiva de hormônios. Nesse cenário, o minoxidil pode ser considerado uma ferramenta adjuvante válida, segura e bem tolerada no curto prazo, embora ainda sejam necessários dados de seguimento mais longo.

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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Referências bibliográficas

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