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Ginecologia e Obstetrícia26 agosto 2025

TESTO 2025: Implante hormonais e testosterona: legislação e limites técnicos

Debate abordou sobre a ética da prescrição da testosterona, as vantagens, riscos e legislações que envolvem o uso de medicações manipuladas.
Por Sérgio Okano

Encerrando a programação científica, a plenária final do “Testo 2025 – Evento sobre Testosterona” promoveu um debate amplo sobre a ética da prescrição da testosterona, com foco nas vantagens, riscos e legislações que envolvem o uso de medicações manipuladas. Participaram desse debate o professor José Bessa Jr, professor da Universidade Estadual de Feira  de Santana, o dr. Bruno Chies, da divisão de urologia da FM USP, e o médico Cleyton Macedo, presidente do departamento de medicina do esporte da SBEM.

Os especialistas abriram a discussão ressaltando que os níveis de testosterona funcionam como marcadores da saúde do paciente. Concentrações baixas do hormônio, em geral, refletem condições clínicas subjacentes, como obesidade, diabetes ou resistência insulínica. A reposição hormonal não deve ser utilizada para corrigir esses quadros, mas sim o tratamento adequado da doença de base, o que leva à melhora natural dos níveis de testosterona.

Um dos pontos centrais da mesa foi o uso de medicamentos manipulados, cuja segurança é questionada devido ao risco de contaminação e à dificuldade de controle de qualidade. Os debatedores alertaram que muitas vezes não é possível garantir o que realmente está sendo entregue ao paciente. Ainda assim, reconheceram que há situações específicas em que as manipulações se tornam necessárias, como na falta de acesso a medicamentos industrializados ou em casos de descontinuidade de fármacos no mercado.

Outro destaque foi a falta de regulação e fiscalização no Brasil, cenário que abre espaço para distorções. Algumas indústrias têm se aproveitado dessa lacuna para criar demandas artificiais, incentivando o uso de hormônios manipulados sem respaldo científico. Esse movimento tem levado à comercialização indiscriminada de testosterona e outros hormônios, muitas vezes sem indicação clínica ou estudos de segurança, expondo pacientes a riscos desnecessários.

Os debatedores reforçaram que a prescrição deve ser guiada por critérios éticos e base científica, evitando ceder a pressões mercadológicas. A plenária concluiu com um chamado à responsabilidade dos médicos e maior rigor regulatório, para garantir que a terapia hormonal seja utilizada de forma segura, responsável e em benefício real dos pacientes.

Confira a cobertura completa no Portal Afya!

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