Os contraceptivos orais combinados (COCs) são amplamente utilizados como método anticoncepcional e também para o tratamento de dismenorreia, sangramento uterino anormal (SUA), acne e tensão pré-menstrual. No entanto, o uso de COCs está associado a um aumento no risco de tromboembolismo venoso (TEV). Portanto, é essencial que os médicos realizem uma avaliação clínica minuciosa antes de prescrevê-los.
Avaliação do Risco de TEV
Todas as formulações de COCs elevam o risco de TEV. Contudo, esse risco pode ser minimizado através da escolha de formulações com hormônios menos trombogênicos, como levonorgestrel ou estetrol, e pela redução da quantidade de estrogênio, por exemplo, diminuindo de 50 para 35 mcg de etinilestradiol (EE).
Interação entre Progestagênios e Estrogênio
A interação entre os diferentes progestagênios e o EE é um fator crucial a ser considerado. Progestagênios com menor ação androgênica (gestodeno, desogestrel e norgestimato) e aqueles com ação antiandrogênica (acetato de ciproterona e drospirenona) apresentam maior risco de TEV em comparação com progestagênios com maior efeito androgênico (levonorgestrel, noretisterona, noretindrona e dienogeste). Além disso, a substituição do componente estrogênico, utilizando estradiol ou estetrol, pode conferir menor potencial trombogênico ao COC.
Dados de Risco
- Mulheres não usuárias de hormônios: Risco de TEV é de 1-5/10.000 mulheres-ano.
- Usuárias de COCs: Risco de TEV é de 3-9/10.000 mulheres-ano.
- Gravidez: Risco de TEV é de 5-20/10.000 mulheres-ano.
- Pós-parto: Risco de TEV é de 40-65/10.000 mulheres-ano.
A incidência de TEV também aumenta com a idade. Em mulheres de 30 a 34 anos, o risco é de 2,5/10.000 mulheres-ano, enquanto naquelas entre 60 e 64 anos, o risco sobe para 9,3/10.000 mulheres-ano.
Mecanismo de Ação dos Estrogênios
Os estrogênios aumentam a concentração sérica dos fatores de coagulação, como protrombina, fatores VII, VIII e X e fibrinogênio, e reduzem a dos anticoagulantes, como proteínas C e S e antitrombina. Esse risco é maior em mulheres portadoras de trombofilias hereditárias. Contudo, a pesquisa de trombofilias deve ser restrita a pacientes com história pessoal ou familiar de TEV, pois a maioria das mulheres com trombofilias hereditárias não desenvolverá TEV, assim como a maioria das mulheres com TEV não possui trombofilias hereditárias.
Período de Maior Risco
O aumento do risco de TEV é mais significativo nos primeiros seis meses de uso dos COCs e depois diminui até o 12º mês de uso. Após o primeiro ano, o risco estabiliza-se próximo ao risco da não usuária.
Considerações Pré-Cirúrgicas
Para mulheres que necessitam de suspensão dos COCs antes de uma cirurgia, recomenda-se interromper o uso no mês anterior à cirurgia para diminuir o risco de TEV. Após a cirurgia, deve-se aguardar três meses para a reintrodução dos COCs, minimizando o risco de TEV no pós-operatório.
Os COCs, embora eficazes como método anticoncepcional e no tratamento de várias condições ginecológicas, apresentam um risco aumentado de TEV. A escolha cuidadosa das formulações e a avaliação individualizada do risco são fundamentais para garantir a segurança das pacientes. A avaliação prévia de fatores de risco, a consideração de alternativas menos trombogênicas e o monitoramento contínuo são práticas essenciais para minimizar os riscos associados ao uso de COCs.
Autoria

Fabiano Serra
Redator em Gopapers. Master em Infertilidade Conjugal pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e pela Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Títulos de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Endoscopia Ginecológica pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia e Estágio de aperfeiçoamento em Endoscopia Ginecológica pelo Hospital Pérola Byington. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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