Ginecologia e ObstetríciaABR 2024

Qual o papel da vacinação para estreptococo do grupo B em gestantes?

Estudo identificou as evidências atuais para a vacinação materna contra estreptococo do grupo B (EGB) através de uma pesquisa sistemática
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O estreptococo do grupo B (EGB), bactéria gram-positiva encontrada na flora normal do trato gastrointestinal, representa uma ameaça significativa para os neonatos, sendo a principal causa de morbidade e mortalidade nessa população. A colonização genital materna ocorre em 10 a 30% das gestações e até 2% dos recém-nascidos de mães colonizadas.   Os antibióticos intraparto demonstraram eficácia, mas apresentam limitações, incluindo preocupações sobre a resistência, potenciais efeitos adversos e variações globais na implementação de protocolos. Antes da implementação das diretrizes de triagem e vacinação para EGB, os Estados Unidos exibiam uma incidência de 1,3 a 5,9 casos por 1.000 nascidos vivos. Após a adoção dessas diretrizes, a incidência entre 2005 e 2014, caiu para 0,22. 

Estudo 

Um recente estudo publicado no International Journal of Gynecology & Obstetrics identificou as evidências atuais para a vacinação materna contra EGB através de uma pesquisa sistemática no Google Scholar, PubMed e Scopus. A revisão incluiu ensaios clínicos e estudos observacionais na língua inglesa publicados de 2003 a 2023. Cinco estudos foram incorporados a essa revisão, analisados por síntese qualitativa. 

Resultados e discussão 

No estudo de Hilier et al. com 650 paciente elegíveis, foi aplicada uma vacina conjugada GBS III-TT com eficácia vaginal de 36% e retal 43%. Observou-se atraso na colonização com concentrações médias geométricas de IgG: 12,6 μg/mL. Foi bem tolerado, com nenhum efeito adverso específico relatado.  Em 2020, Swamy et al. publicaram um estudo com a vacina trivalente contra EGB (n=49) e placebo (n=26). Níveis mais elevados de IgG específica do sorotipo no grupo da vacina persistiram até 90 dias pós-parto. As taxas de transferência de anticorpos no grupo da vacina foram de 0,62-0,82. Eventos adversos graves foram reportados em 16% entre vacinadas e 15% de crianças; no grupo placebo foram 15% das mulheres e 12% nas crianças. Nenhum evento fatal foi relacionado com a vacina.  Donders et al. realizaram um teste (n=86) com a vacina trivalente experimental contra estreptococo do grupo B (EGB) com taxas de transferência de anticorpos: 66–79%. As concentrações médias geométricas maternas aumentaram significativamente com concentrações de anticorpos infantis 22 a 25% dos níveis no nascimento. Nas mulheres vacinadas com EGB, 63% relataram efeitos adversos e 74% no grupo placebo.  Madhi et al. em 2016 publicou uma coorte com a vacina trivalente experimental contra EGB (n1=60) e (n2=320). As concentrações de anticorpos específicos foram significativamente maiores na coorte 1. Não houve diferenças significativas entre as doses da vacina. Das gestantes vacinadas, 33 a 40% teve um evento adverso local e 54 a 71% um evento sistêmico. Reportados 2% de natimortos, 3,5% de mortes de nascidos vivos e uma morte em receptora da vacina, todos não relacionados com a vacinação.  Madhi et al. publicaram em 2023 um ensaio controlado por placebo com n=17.752, utilizando a Vacina GBS6. Os anticorpos materno-infantis variaram de 0,4–1,3. Os bebês que tiveram resposta sorológica as formulações imunogênicas corresponderam de 57% a 97%. Incidência de eventos adversos foram semelhantes entre os grupos. Houveram mais reações locais nos grupos que receberam GBS6 contendo fosfato de alumínio. Os eventos adversos graves mais comuns entre os bebês foram anomalias congênitas menores, como hérnia umbilical e melanocitose dérmica congênita.  

Mensagens práticas 

A vacinação materna contra EGB mostra o papel promissor na prevenção da doença em recém-nascidos. Os estudos incluídos nessa revisão investigaram diferentes formulações de vacinas contra EGB, cada uma com características únicas. A eficácia documentada das vacinas e a imunogenicidade sustentada fornecem uma justificativa convincente para a sua integração em programas de saúde materna.  São necessários estudos de acompanhamento a longo prazo para avaliar a persistência da imunidade induzida pela vacina, utilizando formulações padronizadas. Superar barreiras culturais, desmistificar conceitos errados e promover a compreensão comunitária são fundamentais para o sucesso a vacinação materna contra o estreptococo do grupo B (EGB).
O estreptococo do grupo B (EGB), bactéria gram-positiva encontrada na flora normal do trato gastrointestinal, representa uma ameaça significativa para os neonatos, sendo a principal causa de morbidade e mortalidade nessa população. A colonização genital materna ocorre em 10 a 30% das gestações e até 2% dos recém-nascidos de mães colonizadas.   Os antibióticos intraparto demonstraram eficácia, mas apresentam limitações, incluindo preocupações sobre a resistência, potenciais efeitos adversos e variações globais na implementação de protocolos. Antes da implementação das diretrizes de triagem e vacinação para EGB, os Estados Unidos exibiam uma incidência de 1,3 a 5,9 casos por 1.000 nascidos vivos. Após a adoção dessas diretrizes, a incidência entre 2005 e 2014, caiu para 0,22. 

Estudo 

Um recente estudo publicado no International Journal of Gynecology & Obstetrics identificou as evidências atuais para a vacinação materna contra EGB através de uma pesquisa sistemática no Google Scholar, PubMed e Scopus. A revisão incluiu ensaios clínicos e estudos observacionais na língua inglesa publicados de 2003 a 2023. Cinco estudos foram incorporados a essa revisão, analisados por síntese qualitativa. 

Resultados e discussão 

No estudo de Hilier et al. com 650 paciente elegíveis, foi aplicada uma vacina conjugada GBS III-TT com eficácia vaginal de 36% e retal 43%. Observou-se atraso na colonização com concentrações médias geométricas de IgG: 12,6 μg/mL. Foi bem tolerado, com nenhum efeito adverso específico relatado.  Em 2020, Swamy et al. publicaram um estudo com a vacina trivalente contra EGB (n=49) e placebo (n=26). Níveis mais elevados de IgG específica do sorotipo no grupo da vacina persistiram até 90 dias pós-parto. As taxas de transferência de anticorpos no grupo da vacina foram de 0,62-0,82. Eventos adversos graves foram reportados em 16% entre vacinadas e 15% de crianças; no grupo placebo foram 15% das mulheres e 12% nas crianças. Nenhum evento fatal foi relacionado com a vacina.  Donders et al. realizaram um teste (n=86) com a vacina trivalente experimental contra estreptococo do grupo B (EGB) com taxas de transferência de anticorpos: 66–79%. As concentrações médias geométricas maternas aumentaram significativamente com concentrações de anticorpos infantis 22 a 25% dos níveis no nascimento. Nas mulheres vacinadas com EGB, 63% relataram efeitos adversos e 74% no grupo placebo.  Madhi et al. em 2016 publicou uma coorte com a vacina trivalente experimental contra EGB (n1=60) e (n2=320). As concentrações de anticorpos específicos foram significativamente maiores na coorte 1. Não houve diferenças significativas entre as doses da vacina. Das gestantes vacinadas, 33 a 40% teve um evento adverso local e 54 a 71% um evento sistêmico. Reportados 2% de natimortos, 3,5% de mortes de nascidos vivos e uma morte em receptora da vacina, todos não relacionados com a vacinação.  Madhi et al. publicaram em 2023 um ensaio controlado por placebo com n=17.752, utilizando a Vacina GBS6. Os anticorpos materno-infantis variaram de 0,4–1,3. Os bebês que tiveram resposta sorológica as formulações imunogênicas corresponderam de 57% a 97%. Incidência de eventos adversos foram semelhantes entre os grupos. Houveram mais reações locais nos grupos que receberam GBS6 contendo fosfato de alumínio. Os eventos adversos graves mais comuns entre os bebês foram anomalias congênitas menores, como hérnia umbilical e melanocitose dérmica congênita.  

Mensagens práticas 

A vacinação materna contra EGB mostra o papel promissor na prevenção da doença em recém-nascidos. Os estudos incluídos nessa revisão investigaram diferentes formulações de vacinas contra EGB, cada uma com características únicas. A eficácia documentada das vacinas e a imunogenicidade sustentada fornecem uma justificativa convincente para a sua integração em programas de saúde materna.  São necessários estudos de acompanhamento a longo prazo para avaliar a persistência da imunidade induzida pela vacina, utilizando formulações padronizadas. Superar barreiras culturais, desmistificar conceitos errados e promover a compreensão comunitária são fundamentais para o sucesso a vacinação materna contra o estreptococo do grupo B (EGB).

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