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Ginecologia e Obstetrícia14 fevereiro 2026

Profilaxia com aspirina não reduziu a pré-eclâmpsia pré-termo em estudo na Suécia

Estudo sueco avalia rastreamento precoce e aspirina para prevenir pré-eclâmpsia pré-termo, sem redução significativa na prática real.

Um artigo recente intitulado Early risk assessment and aspirin prophylaxis did not reduce preterm preeclampsia in Sweden: a population-based study, publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology, teve como objetivo avaliar se a implementação do rastreamento precoce de risco para pré-eclâmpsia associado à profilaxia com aspirina reduziria a incidência de pré-eclâmpsia pré-termo em uma população obstétrica não selecionada na Suécia. 

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Estratégias de rastreamento no primeiro trimestre, baseadas em fatores maternos, pressão arterial, Doppler de artérias uterinas e biomarcadores, têm sido propostas para identificar gestantes de alto risco e permitir intervenção precoce com aspirina em baixa dose. Ensaios clínicos randomizados demonstraram redução significativa de pré-eclâmpsia pré-termo com essa abordagem, porém os resultados em cenários de vida real e em populações gerais ainda são limitados. Dessa forma, avaliar a efetividade dessas estratégias em programas populacionais tornou-se fundamental. 

Metodologia 

Trata-se de um estudo populacional retrospectivo realizado na Suécia, incluindo mais de 120 mil gestações acompanhadas em serviços obstétricos antes e após a implementação de um programa de rastreamento universal baseado no algoritmo da Fetal Medicine Foundation. Gestantes classificadas como de alto risco foram orientadas a iniciar aspirina em baixa dose até 36 semanas ou até o diagnóstico de pré-eclâmpsia. Os períodos pré-implementação e pós-implementação foram comparados quanto à incidência de pré-eclâmpsia pré-termo e outros desfechos maternos e neonatais. 

O desfecho primário foi a ocorrência de pré-eclâmpsia pré-termo (<37 semanas). Também foram avaliadas adesão ao rastreamento, prevalência global de pré-eclâmpsia e desfechos obstétricos e neonatais associados. 

Resultados  

A adesão ao programa foi elevada, com o rastreamento realizado em mais de 85% das gestantes, demonstrando boa factibilidade e implementação em larga escala. 

Não foi observada redução significativa na prevalência de pré-eclâmpsia pré-termo após a introdução do rastreamento associado à profilaxia com aspirina (odds ratio ajustado: 1,13; IC 95%: 0,9–1,5). Por outro lado, observou-se uma tendência ao aumento das taxas de pré-eclâmpsia a termo (odds ratio ajustado: 1,14; IC 95%: 1,00–1,30), embora sem impacto clínico relevante nos desfechos perinatais globais. 

A incidência global de pré-eclâmpsia manteve-se estável ao longo do período estudado e não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto aos principais desfechos obstétricos e neonatais, incluindo parto prematuro, complicações maternas e morbidade neonatal (p não significativo para todos os desfechos avaliados).  

 Conclusão 

A implementação populacional do rastreamento precoce para pré-eclâmpsia associado à profilaxia com aspirina não reduziu a incidência de pré-eclâmpsia pré-termo em uma população sueca de baixo risco. Os achados sugerem que a efetividade observada em ensaios clínicos pode não se reproduzir integralmente em cenários de prática real. Apesar disso, o rastreamento mostrou-se factível e útil para estratificação de risco e organização do cuidado pré-natal. Estudos adicionais são necessários para melhor definir o impacto dessa estratégia em diferentes populações. 

Autoria

Foto de Ênio Luis Damaso

Ênio Luis Damaso

Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) ⦁ Professor no Curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) ⦁ Professor no Curso de Medicina da Universidade Nove de Julho de Bauru (UNINOVE).

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Referências bibliográficas

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