Em janeiro de 2026, a revista Maturitas publicou um estudo caso-controle que avaliou o impacto do uso de estradiol vaginal sobre o risco de diagnóstico de câncer retal. O estudo é caso-controle com dados colhidos entre 1994 e 2019, em mais de 1,1 milhões de mulheres menopausadas que não faziam uso de terapia hormonal sistêmica.

Principais resultados
- Mulheres que usaram estradiol vaginal tiveram menor proporção de diagnóstico de câncer retal comparadas às não usuárias (17% vs 20%; p < 0.001);
- Mulheres que fizeram uso de estradiol vaginal apresentaram diagnóstico mais tardiamente (73,9 anos vs 61,5 anos);
- O uso do estradiol vaginal por mais de três ano resultou em redução relativa de risco de 21% (Odds ratio 0,79 (IC95 % 0,63-0,97);
Pontos para se observar
O diagnóstico mais tardio observado em usuárias de estradiol vaginal, não necessariamente se associa a um efeito protetor diretamente. Tal observção pode corresponder a um atraso no diagnóstico, especialmente porque o estudo não não avaliou o estadiamento das lesões no momento da detecção.
O desenho observacional está sujeito a vieses como de seleção e de informação. Apesar dos dados terem sido pareados por idade,outros fatores de risco como atividade física, dieta, status econômico, uso de outras medicações e patologias de base não foram controlados.
Usuárias de estradiol vaginal podem ter maior acesso e avaliação em serviços de saúde e, consequentemente, receberem maiores orientações de prevenção comportamental. Além disso, melhores condições socioeconômicas também podem estar associadas ao uso de medicações e a melhores condições de avaliação e acesso.
Outro aspecto é que o impacto absoluto da terapêutica observado é pequeno, visto que o câncer retal é pouco incidente na população. Apesar dessas limitações, o estudo sugere um possível efeito protetor do estradiol vaginal contra o câncer retal, que, se confirmado por ensaios clínicos, pode influenciar recomendações clínicas para mulheres na pós-menopáusica.
Autoria
Sérgio Okano
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