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Ginecologia e Obstetrícia6 fevereiro 2026

Novo Consenso Clínico do ACOG sobre avaliação do hCG

ACOG orienta o manejo do hCG positivo em mulheres não gestantes: causas de falso-positivo, diagnóstico diferencial e abordagem clínica segura.
Por Sérgio Okano

O Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG) acaba de publicar mais um Consenso Clínico, desta vez dedicado ao manejo de resultados positivos de gonadotrofina coriônica humana (hCG) em mulheres não gestantes e sem suspeita de malignidade ginecológica. Em geral, um teste de hCG positivo sugere gravidez; entretanto, em determinados contextos, pode refletir outras condições clínicas, frequentemente associadas a ansiedade, encaminhamentos desnecessários e diagnósticos equivocados. 

O novo consenso tem como objetivo orientar os profissionais de saúde a interpretar e manejar de forma sistemática níveis persistentemente elevados de hCG, após a exclusão de gravidez (intrauterina e ectópica) e de neoplasias ginecológicas, reduzindo o risco de erros diagnósticos e terapêuticos. 

A gonadotrofina coriônica humana (hCG) e os falso-positivos 

A gonadotrofina coriônica humana (hCG) é uma glicoproteína heterodimérica, composta por duas subunidades: 1) subunidade alfa, estruturalmente semelhante à do LH, FSH e TSH; 2) subunidade beta, mais específica, que contém um peptídeo C-terminal exclusivo. 

A maioria dos testes disponíveis na prática clínica utiliza ensaios imunoenzimáticos, os quais estão sujeitos a interferências analíticas, podendo gerar resultados falso-positivos.  

Diante disso, o consenso recomenda que, uma vez afastadas gravidez e malignidade ginecológica, seja realizada nova testagem e uma avaliação sistemática de outras possíveis etiologias de hCG elevado, entre as quais se destacam: 1) Interferência do ensaio (“hCG falso-positivo”), incluindo: anticorpos heterofílicos;  interferência de proteínas séricas endógenas (bilirrubina, hemoglobina) e lipídios. 2) hCG de origem hipofisária, especialmente em pacientes na menopausa. 3) Doença renal crônica. 4) História de ampliação vesical (enterocistoplastia). 5) Neoplasias não ginecológicas, como câncer de mama, trato gastrointestinal, geniturinário, pulmão, cabeça e pescoço, osteossarcoma e testículo. 6) Síndrome familiar do hCG. 7) Uso exógeno de hCG, incluindo: uso para perda de peso; estímulo da produção endógena de andrógenos em atletas; injeções de hCG como “gatilho” em tratamentos de infertilidade e síndrome de Munchausen. 

Interpretação dos resultados e abordagem 

O ACOG reforça que os profissionais de saúde devem adotar uma abordagem estruturada para a repetição dos testes e interpretação dos resultados, levando em consideração a história clínica da paciente, os resultados de exames prévios, o tipo de ensaio utilizado e o risco individual para outras causas subjacentes de hCG positivo. Métodos alternativos de retestagem podem ser úteis para identificar a presença de anticorpos heterofílicos responsáveis por resultados falso-positivos. 

O documento também destaca que níveis elevados de hCG podem ocorrer como parte de síndromes paraneoplásicas, sendo descritos em diversos tumores não trofoblásticos. Na persistência da elevação do hCG, com exclusão dos principais diagnósticos diferenciais, deve-se considerar a realização de exames de imagem apropriados ou a avaliação por equipe de oncologia. 

Por fim, pacientes com evidência de interferência analítica no ensaio de hCG devem ser informados sobre o risco de recorrência de resultados falso-positivos em exames futuros. Essa condição deve ser claramente documentada no prontuário, e as pacientes devem ser orientadas a comunicá-la a todos os profissionais de saúde envolvidos em seu cuidado. 

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Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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