Um artigo espanhol foi publicado recentemente e teve como objetivo avaliar o impacto da monitorização contínua de glicose (MCG) nos desfechos obstétricos de mulheres com diagnóstico de diabetes pré-gestacional.
O diabetes mellitus (DM) é a alteração metabólica mais frequentemente associada à gravidez, afetando os desfechos maternos e do parto. Aproximadamente 1% de todas as gestantes apresentam diabetes mellitus pré-gestacional (DMPG), e até 12% dos casos desenvolverão diabetes mellitus gestacional. O DMPG está associado a piores desfechos concepcionais, maternos e perinatais.
Essas complicações destacam a importância do controle glicêmico para o resultado obstétrico ideal. Vários métodos podem ser usados para monitorar a glicose em gestantes com diabetes, sendo o monitoramento contínuo da glicose (MCG) uma técnica proeminente. Os dispositivos MCG fornecem leituras contínuas de glicose intersticial, auxiliando em um melhor controle glicêmico. A telemedicina e as tecnologias digitais potencializam a transferência de informações, visando melhorar o manejo da glicose e reduzir as complicações. Embora o método tenha mostrado resultados promissores, seus benefícios em mulheres grávidas ainda estão sendo avaliados por meio de ensaios clínicos em andamento. A literatura atual mostra variabilidade nos resultados dos ensaios, refletindo os desafios da integração de novas tecnologias na prática clínica.
Metodologia
Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo. As pacientes foram categorizadas em dois grupos: 212 mulheres que utilizaram monitorização contínua da glicemia e 175 mulheres que realizaram a automonitorização da glicemia. O estudo avaliou características maternas, complicações na gravidez, vias de parto, resultados neonatais e anomalias congênitas.
Resultados
Um total de 387 pacientes com DMPG foram incluídos. Destes, 212 pacientes tinham diabetes pré-gestacional tratado com MCG, enquanto 175 não usavam MCG. Entre a coorte CGM, 19 pacientes (8,96%) não haviam completado a gestação até o momento da análise dos dados e foram excluídas das análises neonatais, mas incluídas nas análises gestacionais. A amostra geral incluiu 29 abortos (6,16% vs. 9,14%, p = 0,13), 2 gestações molares (0,4% vs. 0,5%, p = 0,44), 5 óbitos fetais intrauterinos (0,94% vs. 1,7%, p = 0,25) e 1 óbito neonatal (0,4% vs. 0%, p = 0,84). O grupo MCG apresentou menor ganho de peso durante a gestação (9,6 kg vs. 10,0 kg, p = 0,02) e necessitou de menos consultas de pré-natal (7 vs. 8, p = 0,01). A taxa de cesarianas foi significativamente menor (53,1% vs. 58,2%, p = 0,03), e a incidência de macrossomia foi reduzida (12,9% vs. 22,2%, p = 0,04). Não houve diferenças significativas nas anomalias congênitas, óbitos fetais intrauterinos ou neonatais entre os grupos.
Conclusão
Monitorização contínua da glicose em gestantes com diabetes pré-gestacional está associado a melhores desfechos da gravidez, incluindo taxas reduzidas de cesariana e menor incidência de macrossomia. Esses achados apoiam a implementação mais ampla do método em serviços assistenciais para melhorar a saúde materna e fetal.
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