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Ginecologia e Obstetrícia19 abril 2026

Impacto das arboviroses na gravidez: Zika, Dengue e Chikungunya

Impacto de Zika, dengue e chikungunya na gestação: riscos, desfechos adversos e evidências para o cuidado materno-fetal.
Por Redação Afya

O impacto das arboviroses na gravidez tem sido amplamente discutido na literatura científica recente. O artigo “Adverse Pregnancy Outcomes and Prevalence Associated With Arboviral Infections (Zika, Dengue, and Chikungunya): An Umbrella Review of Systematic Reviews and Meta-Analyses”, publicado em março de 2026, que avaliou os efeitos das infecções por Zika (ZIKV), Dengue (DENV) e Chikungunya (CHIKV) nos desfechos gestacionais, bem como a força das evidências disponíveis.

As arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes representam importante problema de saúde pública global, com grande parte da população vivendo em áreas de risco. Embora muitas infecções sejam assintomáticas, podem causar complicações graves em gestantes. O tema ganhou destaque durante a epidemia de 2015-2016, quando o ZIKV foi associado a malformações congênitas, levando a OMS a declarar Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Compreender esses riscos é essencial para orientar o manejo clínico, a vigilância epidemiológica e políticas de saúde materno-infantil em regiões endêmicas.

Metodologia

O estudo analisado consiste em uma umbrella review com revisões sistemáticas e metanálises, avaliando a associação entre infecções por ZIKV, DENV e CHIKV e desfechos gestacionais adversos.

Foram incluídas revisões sistemáticas e metanálises previamente publicadas, com avaliação da qualidade metodológica e da credibilidade das evidências, considerando fatores como risco de viés, consistência dos achados e robustez estatística.

Resultados

O estudo revela que a força e a credibilidade das evidências variam consideravelmente entre os três vírus:

  • Zika (ZIKV)

Apresenta as evidências mais robustas. Há alta credibilidade vinculando a infecção materna à microcefalia (incluindo casos graves) e anomalias do corpo caloso. Evidências de credibilidade moderada sustentaram associações entre ZIKV e diminuição do volume cerebral, ventriculomegalia, hipoplasia do tronco encefálico, hipoplasia do cerebelo e microcefalia.

  • Dengue (DENV)

As evidências possuem credibilidade moderada para associações com parto prematuro, baixo peso ao nascer, aborto espontâneo, natimortalidade e hemorragia pós-parto. O mecanismo provável envolve inflamação sistêmica e disfunção placentária.

  • Chikungunya (CHIKV)

Os dados em nível de metanálise ainda são limitados. Existe credibilidade moderada para a transmissão vertical intraparto e para a ocorrência de infecção neonatal sintomática. No entanto, evidências sobre desfechos clínicos específicos da gravidez (como parto prematuro) ainda não atingiram robustez estatística em metanálises.

Lacunas na evidência científica

Apesar dos avanços, persistem lacunas críticas na literatura científica. Quase metade das metanálises revisadas foi classificada como de baixa confiança, principalmente devido à falta de registro prévio de protocolos, o que aumenta o risco de viés de publicação.

Para o ZIKV, as evidências sobre sequelas tardias do neurodesenvolvimento (atrasos cognitivos, de linguagem e motores) ainda são consideradas fracas, refletindo a falta de acompanhamento padronizado e de longo prazo.

Existe escassez de sínteses quantitativas sobre o impacto direto do CHIKV nos desfechos gestacionais, apesar de estudos primários relatarem casos de morte fetal e encefalopatia neonatal.

No caso da Dengue, a relação com parto por via alta e ruptura prematura de membranas permanece incerta devido à inconsistência nos relatos e à falta de ajuste para a gravidade da doença e o momento da infecção na gestação.

Veja também: Zika: o que mudou em relação à infecção congênita e seguimento pré-natal?

Mensagem prática

O estudo reforça que:

  • Pré-natal especializado: Em áreas endêmicas, o cuidado pré-natal deve incluir aconselhamento direcionado e, se disponível, triagem virológica para identificar infecções precocemente.
  • Monitoramento da dengue: Gestantes infectadas por DENV, especialmente no terceiro trimestre, exigem vigilância clínica intensificada para prevenir complicações maternas e neonatais, como a hemorragia pós-parto.
  • Vigilância de longo prazo: Crianças expostas ao ZIKV no útero devem receber acompanhamento contínuo do neurodesenvolvimento, mesmo que nasçam sem anomalias visíveis.
  • Prevenção e pesquisa: O controle vetorial continua sendo a base da prevenção, mas é urgente o investimento em vacinas seguras para uso durante a gravidez e em colaborações de pesquisa que utilizem dados individuais de participantes para elevar a certeza das evidências.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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Referências bibliográficas

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