O tabagismo não é isento de riscos ao binômio materno-fetal. Sabe-se que a gestação é um período crítico para o neurodesenvolvimento do feto e que a exposição a substâncias nocivas pode comprometê-lo.
Descrição do estudo
Neste contexto, um estudo do tipo revisão sistemática e meta-análise buscou analisar a associação entre o tabagismo durante a gestação e o risco de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) na prole. 55 estudos foram objetos de estudo, sendo eles realizados no período de 1998 e 2024 em vários países, totalizando um total de 4.016.522 participantes.
Resultados e discussão
No que concerne aos resultados, foi verificada uma associação significativa entre o aumento do risco de TDAH na prole e o tabagismo materno (OR – 1,71, IC 95%: 11,55 – 1,88).
Neste cenário, estudos já evidenciaram que a nicotina pode ultrapassar a barreira placentária e comprometer os sistemas de neurotransmissores, principalmente o dopaminérgico, que tem relação com o comportamento e atenção, funcionalidades comprometidas no TDAH. Ademais, está associada a liberação de citocinas inflamatórias, estresse oxidativo e hipóxia fetal; impactando o desenvolvimento do cérebro do feto.
Com o TDAH, distúrbio neurocognitivo caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, o desenvolvimento infantil é prejudicado e aumenta-se o risco de comorbidades psiquiátricas e comportamentos disruptivos.
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Conclusão
O estudo evidenciou um aumento considerável na probabilidade de TDAH em crianças expostas ao tabagismo materno durante a gravidez. Tal distúrbio está associado ao prejuízo funcional do indivíduo em diversas áreas da vida, como as relações interpessoais e o desempenho acadêmico.
Diante disso, ratifica-se a necessidade da educação em saúde e de intervenções para redução da exposição pré-natal ao tabaco.
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