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Ginecologia e Obstetrícia23 março 2026

Caso Clínico: Sangramento uterino anormal

Caso clínico: sangramento pós-menopausa em uso de terapia hormonal exige investigação com histeroscopia diante de espessura endometrial aumentada.

Paciente, sexo feminino, 52 anos, refere cólicas e sangramento vaginal há 2 semanas. Faz uso de Estradiol adesivo 2xsemana e Utrogestan 100mg/dia desde 2022, época de sua menopausa. No momento, apresenta sangramento vaginal discreto. Refere uso irregular da terapia hormonal com esquecimentos eventuais. Nega prurido, ardor, dispareunia, sinusiorragia ou outras queixas.  

Em 2023, realizou histeroscopia por sangramento pós menopausa e foi diagnosticada com pólipo endometrial sem atipias. 

Menarca aos 12 anos. Sexarca aos 18 anos. G2 PN2. Parceiro fixo há 30 anos.  Portadora de hipotireoidismo em uso de Puran T4 50mcg. Sedentária. 

Nega outras comorbidades, uso de outros medicamentos, alergias ou tabagismo. Apendicectomia aos 20 anos.  

Exame físico: 

Sinais vitais sem alterações. Bom estado geral. Cavidade oral sem lesões. Sobrepeso (IMC 27).  

Exame ginecológico: 

  • Vulva: sem lesões evidentes.  
  • Exame especular: mucosa vaginal trófica, conteúdo hemático discreto. Colo uterino de aspecto normal, sem lesões macroscópicas.  
  • Toque vaginal bimanual sem alterações.  

Exames complementares: 

  • Colpocitologia oncótica e PCR HPV de alto risco: negativos. 
  • Exames laboratoriais sem alterações significativas. 
  • Ultrassonografia transvaginal com doppler (novembro/2025): útero de tamanho normal, endométrio homogêneo, medindo 9mm espessura, sem fluxo ao doppler. 

Qual a melhor conduta para o caso acima? 

  • Indicar histeroscopia diagnóstica. 

Na presença de sangramento pós menopausa, deve-se realizar uma anamnese detalhada e o exame físico e ginecológico completo (inclusive exame especular). O exame complementar inicial é a ultrassonografia transvaginal. No caso de a paciente estar em uso de terapia hormonal, considerar o limite de 8mm como normalidade para espessura endometrial.   

No caso mencionado, a espessura endometrial acima de 8 mm em paciente em uso de terapia hormonal indica a necessidade de complementar a propedêutica com a realização de vídeo-histeroscopia e, se necessário, biópsia endometrial.  

A paciente realizou a vídeo-histeroscopia ambulatorial e foi identificado a presença de um pólipo endometrial de aspecto típico medindo cerca de 10mm. Foi realizada a polipectomia com laudo de pólipo endometrial sem atipias. 

A paciente foi orientada quanto à mudança de estilo de vida, com melhora dos hábitos alimentares, prática regular de atividade física e ajuste da terapia hormonal, visando otimização do perfil metabólico e melhor equilíbrio hormonal. 

Autoria

Foto de Caroline Oliveira

Caroline Oliveira

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