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Ginecologia e Obstetrícia15 dezembro 2023

A osteoporose está associada à histerectomia em pacientes não oncológicas?

Estudo avaliou o risco de osteoporose após histerectomia com ou sem ooforectomia em uma coorte retrospectiva entre 2002 e 2020.

A prevalência de osteoporose em mulheres acima de 50 anos nos Estados Unidos está acima de 15%, sendo fatores de risco importantes idade, baixo IMC, tabagismo, consumo pesado de álcool e deficiência estrogênica. A histerectomia associada à ooforectomia bilateral é um procedimento muito realizado para endometriose, prolapso uterino e anormalidades menstruais e afeta a conversão de testosterona em estrogênio.

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Foi publicado, esse mês, no Journal of the American Medical Association – (JAMA), um estudo com o objetivo de determinar o risco de osteoporose após histerectomia com ou sem ooforectomia. O estudo foi baseado em uma base de dados de saúde da Coreia do Sul, organizando uma coorte retrospectiva entre 2002 e 2020.

A osteoporose está associada à histerectomia em pacientes não oncológicas

Métodos

O estudo incluiu um grupo histerectomia (pacientes do sexo feminino com idade entre 40 e 59 anos que tiveram o útero removido devido a condições benignas entre 2002 e 2011) e um grupo sem histerectomia (pacientes do sexo feminino com idade entre 40 e 59 anos que realizou um exame de saúde durante o mesmo período). Foram excluídos participantes que receberam código de diagnóstico para câncer, osteoporose ou fratura de um médico dentro de 365 dias após ingressar no estudo.

O desfecho primário estudado foi o risco de osteoporose e os resultados secundários incluíram o risco de fratura vertebral, fratura de quadril, outras fraturas e fratura total. A população do estudo incluiu 25.910 pacientes com idade média de 47 (44-50) anos e período de acompanhamento médio de 10,9 (9,4-12,7) anos.

Resultados

Na análise Cox estratificada-estendida proporcional, pacientes do sexo feminino submetidas à histerectomia sem cirurgia anexial foram associadas a um maior risco de osteoporose dentro de sete anos em comparação com mulheres que não foram submetidas à histerectomia (taxa de risco [HR], 1,28 [IC95%, 1,19-1,37]). Entretanto, o grupo histerectomia com cirurgia anexial teve uma associação com maior risco de osteoporose em comparação com a não histerectomia tanto dentro de 7 anos após o início do estudo (HR, 1,56 [IC 95%, 1,33-1,82]) e após 7 anos (HR, 1,20 [IC95%, 1,04-1,40]).

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No grupo de histerectomia sem procedimento cirúrgico anexial, os riscos de fratura vertebral, fratura de quadril e fratura total foram semelhantes às do grupo sem histerectomia e tendências semelhantes foram observadas no grupo histerectomia com procedimento cirúrgico anexial.

Conclusão e mensagem prática

Segundo o estudo, a histerectomia sem ooforectomia foi associada a um risco aumentado de osteoporose dentro de 7 anos, mas não depois, em comparação com o grupo sem histerectomia. Além disso, a histerectomia não foi associada a fraturas vertebrais e de quadril.

Autoria

Foto de Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 2016. Ortopedista, Cirurgião de Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético. Atua como Staff do serviço de Cirurgia de Mão do INTO e Professor Substituto de Cirurgia de Mão na Universidade Federal Fluminense (UFF).

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